A continuação do seriado só chega em janeiro do ano que vem – o que é ótimo. Assim há tempo o suficiente para que todos os leitores possam assistir às duas primeiras temporadas e estejam preparados para mais batalhas sanguinolentas.

Responda rápido: você tem problemas com entretenimento que leva o sexo e a violência ao limite? Se sim, ignore o título deste post. É a brutalidade gráfica e a narrativa que torna “Spartacus” um seriado obrigatório para o público adulto que anseia por um pouquinho de barbaridade para aliviar um dia estressante de trabalho.

Apesar de pertencerem à mesma franquia, o seriado romano recebe um subtítulo diferente a cada ano. O primeiro narra a trajetória de um guerreiro trácio apelidado pelos seus inimigos de Spartacus, um bravo herói de lendas passadas. Persuadido à lutar por uma guerra que não era sua, o protagonista acaba traído pelo império, separado de sua esposa e covardemente condenado a uma vida de gladiador – aqueles brutamontes que mutilavam uns aos outros no centro de um coliseu, para a diversão da população.

Em momento algum o seriado esconde suas influências do filme e história em quadrinhos “300 de Esparta”: trata-se de uma releitura com um pingo de surrealismo nos cenários e batalhas que emolduravam uma das maiores civilizações que já passaram pela Terra. O foco do seriado é o ludus Batiatus, uma casa controlada por um casal maquiavélico que compra, treina e envia os gladiadores aos combates tal qual um time de futebol. A mansão é um verdadeiro antro de terror psicológico, afinal, criar um bando de selvagens no quintal e viver entre luxos e orgias na busca insaciável por status deixaria qualquer um com um parafuso a menos.

Esta jornada inicial foi batizada de “Blood and Sand”.

Interlúdio inesperado

Os planos para continuar a história iam bem, mas um triste infortúnio forçou os produtores a tomarem uma atitude improvisada. Com Andy Whitfield (o ator que vivia o personagem principal) gravemente adoecido, foi tomada a decisão de que a próxima temporada seria uma prequel e não uma continuação. A desculpa perfeita para que a franquia continuasse acesa e de forma convidativa à gigantesca legião de fãs que assistiram a “Blood and Sand” e estavam sedentos por mais. Batizada de “Gods of the Arena”, o enredo contava os dias do campo de treinamento antes da chegada do trácio e ajudaram a expandir a profundidade da Roma abstrata retratada na série.

Infelizmente, o câncer que impedia Andy Whitfield acabou piorando, levando-o à morte prematura há cerca de duas semanas. Como o show não pode parar, o ator novato Liam McIntyre dará um novo rosto ao guerreiro na terceira temporada, “Vengeance”, que retomará a cronologia do momento em que ela foi interrompida.

Os motivos pelos quais…

Você precisa assistir “Spartacus”: a emissora britância Starz está de parabéns pela coragem em produzir um seriado tão patológico, em que todos os personagem estão propícios a sofrerem uma morte aflitiva a qualquer minuto, o que não é de se surpreender uma vez que este é meio que o motivo deles ainda respirarem. Órgãos escapando por um imenso corte no abdômen e políticos bebendo vinho derramado nos seios de uma beldade se cruzam com uma naturalidade assustadora. É a carne pela carne, em uma dança em que os poucos que se mantém íntegros precisam se mostrar fortes e aguentar as consequências de nadar contra a correnteza.

Apesar de quase nunca exigir toda a atenção da audiência, as tramas são construídas com uma vivacidade hipnótica. Você acreditará piamente que aquela era a dura realidade da época, sentindo a mesma satisfação em observar tantas traições, amores e combates que o público de Cápua quando ia assistir às batalhas nas arquibancadas das arenas.

Um seriado para se ver em todas as horas, dependendo da companhia que estiver dividindo o sofá. Assistir “Spartacus” é uma experiência fenomenal, mas que não deve ser tão agradável quando compartilhada com sua mãe.

Para todos os outros momentos, minha recomendação não poderia ser maior.

Por Luis Andion

Redação


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