O modelo de negócios da televisão está mudando, mas ainda pode demorar algum tempo para todo mundo se dar conta disso. Quer um exemplo? Mesmo após uma campanha online com enorme adesão, a HBO americana não tem interesse em oferecer um serviço de assinaturas online para os usuários da internet que não querem ter televisão a cabo.

É interessante notar como o modelo moderno de televisão coloca a televisão no patamar principal, e a internet como um “bônus” separado. A esmagadora maioria das provedoras de telefonia, internet e televisão a cabo no Brasil o fazem em vendas casadas por exemplo. No entanto, a realidade é que com o tempo, a internet vai acabar absorvendo as funções tanto da telefonia quanto da televisão, já que pode fazer ambas as coisas também – e de maneira muito mais customizada para seus usuários.

O estopim dessa discussão recente veio com a criação de um site chamado “Take My Money HBO!” (“Pegue Meu Dinheiro, HBO!”), onde internautas americanos indicam o quanto estariam dispostos a pagar pelo serviço de streaming das séries do canal diretamente pela internet, sem terem que contratar um serviço de televisão a cabo. “Nós pirateamos Game of Thrones, nós usamos os logins da HBOGO de nossos amigos para assistir True Blood. Por favor HBO, ofereça um serviço de streaming separado da HBOGO e Pegue Meu Dinheiro!”

No entanto, a empresa se recusa a fazer comentários oficiais a respeito, mas sinaliza que não tem interesse em mudar seu modelo de negócios. O fato é que há uma relação simbiótica entre esses serviços que remetem ao passado, e não estão em sintonia com conceitos mais modernos onde o telespectador quer simplesmente escolher o que quer assistir (e está disposto a pagar por isso), ao invés de receber uma batelada de canais que nunca irá assistir somente para ter acesso a uma ou outra coisa de seu interesse. Isso é, em muitos níveis, culpa da pronta disponibilidade da internet. Com ela, você tem acesso ao que quer – e de forma instantânea. Ainda que no momento atual, muitas vezes isso ocorra de forma ilegal, há uma quantidade crescente de pessoas que pagariam legalmente pelos serviços de que usufruem – por exemplo, no caso do Take MY Money HBO.

Conforme a presença da internet vai se tornando mais e mais universal, teremos no futuro uma disputa clara, com milhões de internautas com desejos e vontades específicas, e que não vão querer ser acorrentados pelas expectativas dos modelos de negócios do século passado. Quem vai vencer? Quem tiver mais dinheiro na balança, como de praxe.

Álvaro Freitas


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