Para alguém com vinte e poucos anos, que passou a infância nos anos 1990, não ter assistido “Carrossel” é, frequentemente, uma ofensa imperdoável. Não importam as razões; o fato é que, mesmo não tendo assistido um capítulo sequer da novela, conhecia alguns personagens por terem entrado em nossa cultura, como a Professora Helena, Maria Joaquina e Cirilo.

Não sei até que ponto isto faz de mim alguém apropriado para fazer uma crítica sobre o remake de “Carrossel”. Já vi minha dose de novelas mexicanas (como “A Usurpadora” e as “Marias” com Thalia), e sei como funciona a dramaturgia do SBT. Ainda assim, a qualidade das atuações chega a impressionar.

Negativamente num primeiro momento, claro, porque as falas saem de maneira forçada das crianças e muitas vezes dos adultos. Mas depois de deixar de lado um pouco a crítica excessiva e pensando como uma criança que esteja assistindo aquilo tudo pela primeira vez… já não tenho certeza se a atuação é fraca, ou apenas adequada para a faixa etária a que se destina.

Se “Carrossel” se propõe como uma novela para a família, supõe-se que ela terá adultos e crianças assistindo. Os adultos vão ter que fazer alguma força para aguentarem a hora do episódio? Possivelmente, mas se ao olhar para os lados e ver seus filhos atentos, satisfeitos e gargalhando das pequenas montagens simplórias como a cena com a farinha na cabeça de Cirilo não conseguir deixar os pais satisfeitos… bom, eles podem simplesmente deixar as crianças na sala – sem o perigo de uma cena mais sensualizada inserida num contexto infantil ou adolescente (como é de praxe na Globo e Record).

Algo para o qual muitas críticas chamam atenção – cenários exagerados e coloridos – também é algo que, se examinado sob a ótica de um programa para crianças, perde força. Um cenário colorido e exagerado é mais agradável que um cenário
‘realista’. O entretenimento não precisa imitar a realidade fielmente para existir.

Em retrospecto, o SBT tem acertado bastante em seu investimento na área de programação infantil. Além do imortal “Chaves”, nos últimos anos os programas infantis da emissora têm aproveitado o vácuo desse tipo de programação nas outras emissoras abertas, se tornando um nicho interessante. Se Silvio e a equipe de “Carrossel” jogarem suas cartas direito, eles terão um enorme sucesso, e não será somente pela novidade (que é o que estamos vendo nesse momento), e sim algo duradouro.

Álvaro Freitas


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