As expectativas para “A Fazenda 5″ são das melhores, afinal de contas, tudo o que poderia dar errado no programa já deu em “A Fazenda 2″. Ao contrário da primeira temporada, o elenco da segunda edição foi de matar qualquer um de tédio. Nem mesmo as provas bem elaboradas foram o suficiente para salvar a audiência que foi parar no brejo.

O desempenho de Britto Jr., que já era questionável, passou a ser sofrível. As mudanças de horário, as cobranças e o olho no Ibope pareceram desestabilizar ainda mais a Britto, que nunca possuiu a segurança de Pedro Bial e muito menos o domínio de Silvio Santos (mas comparar com Silvio já seria heresia).

Participantes por ordem de eliminação:

Ana Paula Bandeira teve vida curta no confinamento. A bandeirinha não fez a política da boa vizinhança. Sua personalidade forte, sua cara de nojo e suas ótimas respostas sinceras a mandaram direto para a roça, da qual não voltou. Uma pena!

 

Maria João também não agradou, a repórter parecia moderninha demais para os conservadores.

Na terceira semana, a audiência já havia evaporado e o programa passou a perder drasticamente para a série “Supernatural”, exibida pelo SBT. O público foi reduzido aos fiéis do reality que decidiram eliminar Adriana Bombom, a mulata alto astral que se dava bem com todos. Adriana protagonizou a cena mais dramática da temporada ao ser eliminada: chorando, ela se perguntava o que tinha feito de errado. Britto tentou consolar, porém suas habilidades como psicólogo também não são das melhores.

 

Reveja a cena:

A atriz Andressa Oliveira já havia participado de algumas novelas, entretanto ficou conhecida por ser a ex-namorada de Théo Becker. Seguindo a vibe de eliminar os bonzinhos, a loira tomou o caminho de volta para a cidade grande sem ter se destacado.

Fernando Scherer se comportou como se fosse personagem de algum filme da Xuxa. Cortejou a dançarina Sheila Mello como faziam no século XVIII. O relacionamento meloso e paradoxalmente sem beijo torrou a paciência dos telespectadores. O nadador dava conselhos de doer os ouvidos como “siga seu coração”.

Sheila Mello fazia e acontecia rebolando no “É o Tchan”, mas na fazenda a loira perdeu o rebolado e após a saída do seu afeto ela virou água, ou melhor, lágrima. Mesmo não chegando sequer na final, segundo Sheila, ela ganhou o prêmio maior: o amor. Fato real, já que se casou meses depois com o Xuxa.

Maurício Manieri canta muito bem, mas como participante de reality show é uma completa negação. A participação dele se resumia a dedilhar o vilão. Resultado: foi tocar violão em casa.

Já o modelo Caco Ricci foi possuído pelo ritmo “Ragatanga” e até tentou salvar a bagaça causando alguns barracos, porém não é todo mundo que sabe baixar o nível de forma divertida. Reveja o duelo entre Caco e Matheus Rocha disputando o posto de mais chato:

Cacau Melo já havia protagonizado novela no SBT e participado com destaque de algumas produções da Globo, logo se imaginava que ela fosse longe no jogo devido à sua popularidade, mas com o decorrer do tempo Cacau se converteu numa chata de galocha. MC Leozinho, o funkeiro do bem, decepcionou feio no quesito entretenimento. Melhor seria se em seu lugar tivesse ido a Lacraia.

Igor Cotrim, o louco varrido da edição e o único a propiciar momentos descontraídos, surtou diversas vezes, mas sem nunca perder a pose de desequilibrado simpático. Após sua saída, o programa que já era tedioso virou um marasmo sem precedentes na história da televisão brasileira.

Reveja os melhores momentos de Igor Cotrim:

Restaram os três politicamente corretos: Mateus Rocha, André Segatti e Karina Bacchi. Três atores da segunda divisão. Mateus, que era o menos popular entre eles, ficou em terceiro lugar; seguindo a lógica, André Segatti – cuja única utilidade foi ter batizado um potrinho com o nome de Alegria – foi vice-campeão e Karina, que era a mais conhecida, ganhou o prêmio de um milhão de reais.

 

Esta retrospectiva vai ficando por aqui e amanhã não perca o especial sobre A Fazenda 3 que soube corrigir os erros e se tornou um êxito.

Por Uziel Santos

Uziel Moreira


facebooktwittergoogle plus

Mestrando em Literatura e Crítica Literária, pesquisa sobre a teoria intersemiótica. Dramaturgo com mais de 40 peças teatrais apresentadas, professor de humanas. Cinéfilo, noveleiro e mochileiro do tipo farofeiro na Europa e aventureiro na América do Sul.