Qualquer fã de “Game of Thrones” que leia/assista e converse um pouco que seja sobre a série, se já deparou com (ou fez) as seguintes questões: “por que todo mundo morre?” e “por que tem tanto sexo o tempo todo?”.

Essa segunda pergunta é alvo ainda mais fácil de críticas na série de TV, pelo motivo óbvio de que as pessoas não vão conseguir desviar o olhar se, no meio de uma cena em que dois personagens estão expondo o enredo, há em segundo plano duas mulheres nuas fazendo sexo.

Mas tudo bem, caro leitor revoltado que não consegue apreciar as coisas boas da vida: em entrevista à agência Reuters, George R. R. Martin explicou um pouco de seu processo criativo e respondeu a ambas as questões.

“Uma das coisas que eu mais amo – e eu sou um leitor voraz, além de escritor – são livros que me surpreendem, que não são previsíveis.” comentou Martin, “Nada me entedia mais que livros em que você lê duas páginas e sabe o que vai acontecer. Eu quero reviravoltas que me surpreendam, personagens que tenham dificuldades e que eu não sei se vivem ou morrem”.

É uma resposta meio óbvia, mas é bom saber que o autor de “Game of Thrones” não possui nenhum prazer sádico em torturar os personagens e os leitores. Ele só quer que você fique aflito o livro inteiro, se perguntando se seu personagem preferido vai sobreviver ao próximo capítulo. Ned Stark que o diga.

Quanto ao problema das pessoas com o excesso de cenas de sexo, a resposta de Martin é menos uma resposta, e mais um convite para que as pessoas que reclamam disso arrumem mais o que fazer ou escrevam sua própria série multimilionária de fantasia, censurada como bem entenderem.

“Eu posso descrever um machado entrando em um crânio humano em detalhes explícitos e ninguém repararia muito nisso. Então eu faço uma descrição similar, igualmente detalhada, de um pênis em uma vagina e recebo cartas de pessoas dizendo que vão parar de ler. Na minha cabeça, isso é meio frustrante, é loucura. Afinal, na história do mundo, pênis em vaginas deram às pessoas muito prazer. Machados em crânios, bom, nem tanto”.

E é oficial: depois desta resposta, George R. R. Martin é o Tyrion Lannister da vida real.

Ana Cecília de Paula


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Jornalista formada, que gosta de filmes, lhamas, gelatina e tudo que é aleatório.