Prestes a completar um mês de exibição, a quinta temporada do reality show rural da Record já mostrou um pouco de tudo. Entre barraqueiros, preguiçosos, alegres, chatos e loucos escolha o seu para torcer até o final do programa.

Inegavelmente a primeira semana de “A Fazenda 5” foi de Lui Mendes que roubou a cena com seus chiliques, ataques, pitis e espasmos. É muita emoção e maluquice para uma pessoa só. Pena que o público não entendeu ou não gostou do jeito super-ultra-mega-power intenso de Lui e o ator se tornou a primeira vítima da Roça.

Depois quem ralou peito foi Gustavo Saly-alguma-coisa. O que o modelo tinha de bonito também tinha de desconhecido. Suas atitudes foram vistas como ingratidão e devolveram a oferenda para a cidade grande.

Na última quinta-feira (21/06) foi a vez de Sylvinho Blau Blau seguir seu ex-colega de Celeiro. Curioso observar que os três primeiros eliminados saíram justamente do Celeiro. Isto é pura coincidência: o que realmente explica essa debandada de homens é o grande destaque que as mulheres vêm obtendo.

Pouco antes da saída de Lui Mendes, Nicole Bahls já havia assumido o posto de protagonista, mesmo sendo vilã. Em três semanas, a ex-panicat já conseguiu deixar todo o mundo em pânico. Caso protagonizasse um episódio do seriado “As Brasileiras”, o título seria “A Autêntica de Itu”, afinal de contas, ela não cansa de repetir que odeia falsidade.

Ângela Bismarchi entrou no jogo desacreditada. O público a tinha como uma mulher fútil que só pensa em fazer cirurgias plásticas, mas com a trágica morte de sua irmã e com a difícil escolha de permanecer confinada ou comparecer ao enterro, Ângela passou de fútil a um ser humano fascinante, complexo… No país das novelas, nada mais natural do que um drama da vida real chamar tanta atenção.

Gretchen e Viviane Araújo atraem mídia sem fazer esforços. Enquanto a primeira é conhecida pelos seus melôs sensuais, seus 16 casamentos e suas cenas em filmes pornôs, a outra é figurinha carimbada do carnaval e ex-mulher do pagodeiro Belo, quase uma versão de “Dalva e Herivelto” do século XXI. O público gosta de ver relações afetuosas de amizade e neste critério as duas ganham ponto, já que desde o início da odisseia rural seguem unidas.

Shayene Cesário, Simone Sampaio e Robertha Portella correm pelas beiradas e até aqui só serviram como escada para que os outros apareçam. Shayene gastou 90% de sua participação bajulando Nicole, enquanto que Simone gastou o mesmo tempo analisando o comportamento de Nicole. Robertha coadjuvou algumas cenas com Diego, mas até agora sua melhor aparição também está atrelada a Nicole.

Penélope Nova já entrou com torcida, porém seu jeito prolixo afastou alguns seguidores. É preciso ter paciência, finess e classe para não mandar a intelectual calar a boca. Uma simples resposta na boca de Penélope vira uma apresentação oral de dissertação de mestrado. Mas há quem goste de um papo cabeça, ainda que seja num programa de entretenimento despretensioso.

Na ala dos homens, juntando Felipe Folgosi e Diego Pombo não dá um. Felipe parece a versão tupiniquim de Dawson, do seriado “Dawson’s Creek”. Bonzinho demais, certinho de mais, é muito inho para um programa que tem a missão de manter o telespectador acordado quase à meia-noite. Já Diego, de soteropolitano só tem o sotaque. Deveria ter tomado umas aulas com Compadre Washington de como expressar personalidade e atitude.

Rodrigo Capella bem que tenta ser engraçado, mas parece que o humorista se da melhor quando tem um texto, ou um pré-roteiro para seguir. Vavá é uma boa pedida para quem gosta de participantes cheios de ego. Porém por mais estranho que possa parecer, o homem que mais tem se destacado é Léo Áquilla. Faz graça, fala coisas polêmicas e não se esconde.

O que espero de um participante de reality show é que se exponha, pois está lá para isto. E com este critério já elegi os que merecem minha torcida. E você, para quem está torcendo?

Por Uziel Santos

Uziel Moreira


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Mestrando em Literatura e Crítica Literária, pesquisa sobre a teoria intersemiótica. Dramaturgo com mais de 40 peças teatrais apresentadas, professor de humanas. Cinéfilo, noveleiro e mochileiro do tipo farofeiro na Europa e aventureiro na América do Sul.