“Magic City”, do canal Starz, se esforça, mas é apenas mais uma tentativa de emplacar um drama à moda de “Sopranos”. A produção é impecável, as atuações estão entre o excelente o razoável, mas o roteiro acaba colocando tudo a perder.

Por exemplo, o “Tony Soprano” aqui é Ike Evans, vivido por Jeffrey Dean Morgan. Proprietário do hotel Miramar, que parece doce e afável, mas que levamos um episodio inteiro para descobrir que – surpresa! (não realmente) – ele está envolvido com ‘soluções alternativas’ para seus problemas, por métodos ‘não-convencionais’ (considere as palavras entre as aspas simples eufemismos para práticas de gângster, ok?).

Os personagens são, de maneira geral, profundos como um pires, ou tão clichê que chegam a dar pena (como a esposa de Ike, Vera) – ou despertar raiva e irritação, como Ben, o psicopata sócio de Ike.

Se a série se dedicasse mais à sua cinematografia e menos a um plot manjado e batido, talvez ganhasse mais simpatia, mas esse simplesmente não é o caso. Na maior parte do tempo, há pouca ou nenhuma conexão com o espectador. A pena é justamente o potencial desperdiçado.

Um bom exemplo dos altíssimos valores de produção da série é a abertura, que você pode conferir abaixo. Uma verdadeira obra de arte, que casa com perfeição com os temas da série… mas que também acaba passando a sensação de lentidão que permeou o primeiro episódio.

 

Redação


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