Calma, não estou dizendo que a rede social apoia a eutanásia. Ela apenas está sendo usada como instrumento para que uma pessoa possa adquirir o direito de praticá-la.

Tony Nicklinson, um empresário britânico de 58 anos, sofreu um derrame cerebral em 2006, o que fez a sua vida mudar por completo: uma paralisia atingiu todo o seu corpo, com exceção do cérebro, que agora o ajuda a lutar pelo direito à morte.

Ele usa uma de suas únicas capacidades, a de mover os olhos, que o ajuda a escrever tweets mostrando a sua vontade de deixar de viver.

Sendo alguém que sempre amou esportes radicais, Tony Nicklinson viu em 2006 todos os seus planos de vida acabarem durante uma viagem a trabalho, onde o empresário sofreu um derrame cerebral que o deixou fisicamente incapacitado. O AVC paralisou todas a suas atividades físicas, porém deixando o cérebro intacto. Esta condição tem o nome de Síndrome do Encarceramento, onde os olhos são a única parte do corpo que respondem aos comandos cerebrais.

Mas por incrível que pareça, a única capacidade motora que Nickinson tem pode até mudar a sua vida. Um sistema de alta tecnologia, associado à sua conta no Twitter, permite a leitura dos movimentos dos olhos que funcionam como um cursor de mouse. Assim, o britânico é capaz de escrever e divulgar através do Twitter a sua vontade de tirar a própria vida.

Em menos de 24 horas depois de criada, a sua conta no Twitter já tinha mais de 2500 seguidores, agora o número ultrapassa os quinze mil. A maioria a favor da luta incansável pela eutanásia.

O britânico luta há anos por uma decisão do tribunal para a permissão de poder ser exercida a eutanásia. O Twitter será a sua nova, e talvez única, forma de expressão da sua vontade de deixar de viver. Ele espera sensibilizar as autoridades britânicas dessa maneira, com tantos seguidores apoiando sua decisão.

Eu falo bastante aqui sobre o quanto a tecnologia pode salvar vidas, e nesse caso a tecnologia está sendo utilizada para ajudar a tirar uma vida. Isso é errado? Na minha sincera opinião, alguém que não pode executar mais absolutamente nenhuma atividade por ter o corpo completamente paralisado, tem o direito de acabar com a própria vida. Seu corpo nada mais é do que uma prisão, da qual só será liberto no dia em que morrer.

Rodrigo Casagrande


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