EXCLUSIVO: Blogs POP conversou com Joris Evers, Diretor da Netflix

Durante a visita de nossa equipe do POP Games a Los Angeles para cobrir a E3 Expo, tivemos a oportunidade de falar com Joris Evers, o Diretor de Comunicação Corporativa para a América Latina da Netflix, o serviço de vídeo digital que aportou no Brasil em todos os computadores, consoles, portáteis e até diretamente em sua TV.
Já consagrado nos EUA e com milhões de assinantes, Evers nos explica como foi a chegada em nossa país e quais são os próximos passos do serviço no país.
Portal POP: Como foram os primeiros meses do Netflix no Brasil?
Joris Evers: Começamos em setembro do ano passado, então estamos a cerca de 9 meses por aqui. Estamos muito felizes com o resultado, embora tenha levado um tempo maior que esperávamos para criarmos um negócio lucrativo na América Latina, graças aos inúmeros desafios, como por exemplo formas de pagamentos. Inicialmente só aceitávamos cartões de crédito e acabamos entendendo que no Brasil nem todos possuem cartões de crédito ou débito. Por isso, estamos procurando disponibilizar outras formas de pagamento online.
Portal POP: Como cartões pré-pagos?
JE: Paypal, por exemplo. Estamos estudando outros modelos de pagamento para países como Brasil e México. São os dois maiores mercados na América Latina. Desde o início estamos focando em três pontos principais: aumentar nosso catálogo e aprender o que as pessoas gostam de assistir. O segundo ponto são as legendas. Começamos com muito conteúdo dublado e agora praticamente tudo, exceto produções infantis, estão disponíveis em seu idioma original e legendado. E o terceiro ponto são os licenciamentos. Não apenas é possível utilizar Netflix em seu computador ou console, mas agora estamos chegando nas Smart TVs e Blu-ray players como Samsung, LG e smartphones com iOS, Android ou Windows Phone. E é isso que queremos: estar disponíveis em qualquer dispositivo relevante aos brasileiros.
Portal POP: Qual o tipo de mercado e público que vocês desejam atingir no Brasil?
JE: Acima de tudo, queremos que todos os brasileiros sejam membros do Netflix. O preço é bem baixo – o equivalente a 8 dólares ao mês. Há muito conteúdo para todos os tipo de público de crianças, a adultos ou avós. Você também pode assistir Netflix em diversos tipo de tela, então acima de tudo queremos atingir a todos, similar aos Estados Unidos onde temos 23 milhões de assinantes. O que costumamos ver em novos mercados é que os primeiros usuários são justamente pessoas mais jovens, entusiastas de tecnologia, aqueles que possuem consoles e que já tem conexões de banda-larga. O que também observamos na América Latina é que não há conexões de banda-larga tão boas como nos Estados Unidos e apenas um pequeno percentual da população tem banda-larga realmente rápida, o que limita um pouco mercado. Mas o consumo de banda-larga vem aumentando de modo significante no último ano e esperamos que exploda em breve. Então quanto mais gente tiver acesso a banda-larga, mais o Netflix crescerá.

Portal POP: Inicialmente, os primeiros membros do Netflix no Brasil reclamaram sobre o pouco conteúdo disponível frente aos concorrentes locais. O que vocês estão fazendo para mudar esse panorama? Especialmente no que se refere a conteúdo local, já que há no Netflix novelas mexicanas, mas nenhuma brasileira, por exemplo.
JE: É sempre bom ter um feedback sobre a necessidade de novelas locais. Temos diversas novelas americanas e hispânicas no Netflix, já legendadas ou dubladas em português, algumas delas de bastante sucesso no Brasil. Uma de bastante sucesso foi Rebelde, que temos a versão em Espanhol disponível e é uma das mais populares no Netflix. Estamos sempre buscando escutar o que vocês desejam. Temos algumas coisas locais, comediantes como Rafinha Bastos, que também é bem popular. Fazemos com que as pessoas amem o Netflix e sempre tenham algo a assistir. Acabamos de fechar um acordo com o canal Fox para disponibilizar suas séries como Drop Dead Diva, Glee, novas temporadas. Acabamos de anunciar também mais conteúdo de UFC. Dia 15 de Junho teremos “O Artista” que já estará lá pouco tempo depois de ganhar o Oscar e de chegar aos cinemas. Em breve teremos “Jogos Vorazes”. Então estamos cada vez mais adicionando comédias, combates, conteúdo infantil. Sabemos que “Galinha Pintadinha” é o infantil de maior sucesso no Netflix, então cada vez mais adicionaremos mais coisas. Queremos um catálogo cada vez mais completo para cada tipo de público. É um trabalho contínuo mas que trará muito mais conteúdo num futuro muito próximo. Muitos testaram o Netflix em setembro, logo no início e pensaram “Não é para mim”, mas o que viram antes é diferente do que verão agora. O Netflix hoje é diferente do Netflix semana que vem ou o daqui alguns meses. Há novo conteúdo semanalmente. Então aqueles que tentaram em setembro deveriam testar novamente e provavelmente encontrarão o que procuram.
Portal POP: Cada país tem uma legislação diferente em relação a conteúdo. Quais são as maiores barreiras no Brasil?
JE: Se pudéssemos teríamos um catálogo imenso em todos os países que estamos. Umas das barreiras, obviamente, é o dinheiro. É um custo muito alto aumentar a oferta em pouco tempo. Mas é um ciclo: a medida que nosso membros aumentam, investimos mais na aquisição de licenças. Aumentando as licenças também aumentamos o número de membros e assim continua. Além disso não há desafios específicos em relação ao Brasil.

Portal POP: Inicialmente vocês deram suporte ao PlayStation 2 para rodar o Netflix, mas logo em seguida foi descontinuado. Por que?
JE: Na verdade ninguém estava usando. Começamos oferecendo esse suporte porque sabíamos que o PlayStation 2 era muito presente no país. Enviamos discos para quem estivesse interessado nesse console, mas muito poucos discos foram efetivamente utilizados.
O que nos surpreendemos, por exemplo, é que no Brasil, se comparado com a média mundial, há mais pessoas usando Netflix em tablets e em Smart TVs que em qualquer parte do mundo. Mas tanto no Brasil, como nos EUA ou em todos os outros países, os dispositivos mais populares ainda são PCs e Macs, seguidos por videogames.

Portal POP: Há algum tipo de competição ou animosidade, seja nos EUA ou no Brasil, em relação aos canais de TV locais?
JE: Num panorama mais amplo, todos estamos concorrendo pela mesma coisa: audiência. O que faremos hoje? Ver TV, ler um livro ou assistir o Netflix? Se pensarmos nos canais tradicionais, eles sempre serão necessários. Você precisará ver o jornal das dez ou assistir um jogo de futebol. Netflix, na verdade, pode auxiliar esses canais se você pensar que somos provedores de conteúdo que está em exibição, mas de temporadas anteriores. Por exemplo, Mad Men. Temos todas as temporadas passadas a disposição, enquanto a atual ainda está na TV. Estamos ajudando a criar audiência.
Portal POP: E quais são os próximos passos no Brasil?
JE: Mais conteúdo, obviamente. Expandir para outros dispositivos de transmissão, o que já vem acontecendo e, claro, trazer mais membros.
Por Jefferson Melo, diretamente de Los Angeles















