Nós lemos: “Homem-Aranha Noir: A face oculta”

Segunda aventura do herói nos anos 30 é mais impactante e cheia de reviravoltas.
Quando li a primeira aventura de “Homem-Aranha Noir”, confesso que não me empolguei tanto com a ambientação do personagem nos tempos dos gangsters. Os aspectos fantásticos apresentados pelos escritores David Hine e Fabrice Sapolsky não combinam com o cenário que pede mais realismo e uma trama mais “pé no chão” do que os tradicionais roteiros dos quadrinhos de super-heróis – algo que foi seguido em “X-Men Noir” e muito bem-sucedido.
Em “Homem-Aranha Noir: A face oculta”, David e Fabrice aprenderam a lição e apararam as pontas soltas e exageros, trazendo uma trama interessante e impactante, com temas muito mais fortes do que as já batidas guerras de gângsters que imaginamos quando temos em mãos uma história ambientada nesse tempo.

A história acontece pouco tempo após a primeira aventura, quando o submundo tenta se reorganizar após a morte do outrora chefão do crime de Nova Iorque, o “Duende”. Agora, parece que o bastão foi passado para uma enigmática figura que se auto-denomina o “Mestre do Crime” – quem está pensando que trata-se da versão gângster do Rei do Crime, lamento decepcionar você: com um visual que mais lembra um antigo vilão do Aranha, o Rosa, ele não passa de um marionete dos verdadeiros vilões. Como se não bastasse, a polícia trata com total descaso o desaparecimento de várias pessoas negras nos últimos meses, mistério que intriga apenas o repórter Robie Robertson, amigo de Peter Parker. O desenrolar das coisas é perturbador, combinando ainda mais com a arte “rabiscada” de Carmine Di Giandomenico.
O grande trunfo da segunda história de “Homem-Aranha Noir” é a caracterização dos personagens. Ainda reconhecemos as características principais de Peter Parker, mas é visível que o sobrinho da Tia May não é exatamente o bom moço que estamos acostumados a ver nos tempos atuais. Mesmo com o intuito de fazer o bem, sua vida dupla o leva a escolhas, atitudes e comportamentos dos quais seu senso de dignidade alertariam mais alto que qualquer sentido de aranha – essas escolhas e decisões podem levar certas questões da história a terminarem de modo trágico. O grande trunfo, no entanto, é a versão noir do Doutor Octopus. Os tentáculos continuam lá sim, mas de uma forma tão mais plausível para os anos 30 que você nem dá atenção para isso, mas sim para a história do personagem, tornando-se uma das versões alternativas mais interessantes de Otto Octavius.
A coleção “Marvel Noir” vem mostrando sensíveis evoluções a cada edição e o aumento de qualidade entre as duas histórias do Aranha é uma prova disso. Vale a pena continuar acompanhando os próximos lançamentos da linha.













Só uma observação, o Mestre do Crime Noir não lembra o Rosa e sim o Mestre do Crime do Universo normal do Aranha, foi um dos vilões do início da carreira do Peter Parker, na época em que esse ainda namorava a Betty Brant, inclusive um dos subalternos dele era um ex-namorado dela.