A evolução da cultura nerd

Nada melhor que um gráfico comentado para entender o que era ser nerd antigamente e hoje em dia.
Na verdade nem precisava muito de texto. A imagem abaixo vale mais que mil palavras.

Mas vale a pena fazermos algumas observações sobre o gráfico.
Só pela parte de cinema, ser nerd na década de 1970 já era mais que demais: nossos pais e tios simplesmente assistiram à aurora da verdadeira classe nerd com Star Trek e Star Wars. Além dos clássicos, tivemos também Apple II, Telejogo e linguagem COBOL de programação. São em sua maioria coisas que hoje você não pode curtir (exceto por Star Trek e Wars, que sobreviveram na cultura pop) sem correr o risco de ser chamado de “hipster”. Ora bolas.
Ora, mas em 1980 nós nerds simplesmente ganhamos “Back to the Future” – as aventuras de Marty McFly e Doc Brown que hoje são uma necessidade de conhecimento no arsenal de um nerd. Além disso, nós finalmente viríamos o crescimento dos games, que atingiriam a “Era de Platina” para alguns – dava seus primeiros passos o NES, e os PCs começavam a receber jogos como Sim City. Nesta época já não era mais tão estranho andar com a camisa enfiada nas calças e usar óculos com armação grossa!
1990 entre em cena e já começo com uma reclamação: como não lembrar de “Magic: The Gathering”? Este foi, aliás, meu primeiro motivo para ser taxado como um nerd. E isto é um orgulho! Mas eles lembraram-se de Arquivo X e Matrix (incentivadores vorazes para que acreditássemos que existe mais do que na verdade sabemos – a marca registrada do nerd), além da “Era de Ouro” dos games, com o apogeu dos 8/16 bits. Por fim, cabe a citação da “Apple versus Windows” não? Pois ser jovem e estar ligado em informática nos anos 90 era estar ligado nesta grande batalha. Sendo assim, estão perdoados pela falta de “Magic” na lista.
Ser nerd a partir dos anos 2000 já era, em parte, também ser um geek – as centenas de milhares de bugigangas que hoje chamamos “gadgets” ganharam força nesta citada década. Posteriormente, veríamos os geeks anexarem-se aos nerds como uma classe independente, embora relativamente ligada às suas origens nerdísticas. Foi nesta época também que o mundo abraçou o universo fantasia/RPG como algo pop, isto graças à Senhor dos Anéis e Harry Potter. Os games entravam nos moldes do que temos hoje… e isso não me agrada o suficiente para comentar sobre.
Por fim: o que é ser nerd nesta década atual? Ora, segundo o gráfico é basicamente ser um rato de redes sociais e idolatrar Mark Zuckerberg – e é ai que entram as críticas.
Claro que é relativo e também uma questão de gosto pessoal gostar ou não de redes sociais, mas não é a apenas isto que resume-se ser nerd e geek hoje em dia… bem, talvez geek seja quase isto (basta adicionarmos uma certa fixação por iGadgets no meio). Acredito que, hoje em dia, ser nerd é um pouco mais complexo que apenas isso – e portanto, talvez esta seja a década cuja a análise fique mais difícil de ser feita com mais precisão.
A verdade é: somos nerds e geeks. Gostamos de RPGs, games, séries de TV, filmes diversos, fast-food (muitos de nós, ao menos) e gadgets. Rotular? Bom, isso é mais difícil.
Se ao menos mais de nós (incluindo eu) saíssemos por aí com camisetas do Lanterna Verde e saudássemos os outros com um clássico “Bazzinga!”, talvez fosse mais fácil nos distinguir na multidão.
Bom, de minha parte, podem continuar me procurando nela.
Fabio Zonatto
Queria ter nascido um Predador ou um samurai, mas não obteve sucesso nestas metas. Hoje é um redator gamer formado pela academia 8 bits de letras digitais, além de apaixonado por heavy metal, WWE, TNA, nerdices aleatórias e refrigerantes sabor noz-de-cola. Nas horas vagas, desbrava os confins de Azeroth.

















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