O que mais chamou a atenção na última Virada foi a confusão que a parte gastronômica do evento – em sua primeira edição – causou, quando faltou comida e o chef Alex Atala, famoso no meio, não apareceu. Mas, comidas à parte, veja como foram alguns dos shows de música.

Gilberto Gil, encerrando as atrações do palco Júlio Prestes no domingo (às 18h), teve um show marcado pelo som muito baixo. As pessoas da primeira fila quase não ouviam o cantor, mas apesar das reclamações da plateia, o volume continuou o mesmo.

No fim das contas, isso não impediu o músico de interagir com a galera e dar o seu melhor, interpretando canções como “Esperando na Janela”, “Vamos Fugir” e “No Woman No Cry”, de Bob Marley, na versão em português – “Não Chores Mais”.

Mais cedo, os Titãs subiram ao palco na São João, próximo à rua do Arouche. Em meio às festas de comemoração dos 30 anos de banda, o espaço em frente ao palco e as ruas em volta (e as árvores, muretas e onde quer que alguém pudesse subir) não foram o suficiente para a quantidade de gente querendo ver a apresentação, então os que estama mais distantes do palco não conseguiam ouvir o show – mais uma vez, o pouco volume não impediu a animação dos fãs.

Um show que teve o volume “modesto”, para parar de reclamar de altura, foi o de Larry Graham, “inventor do slapping bass”, e sua Graham Central Station. Sua apresentação aconteceu depois de outro artista internacional – Charles Bradley, que entrou e saiu emocionado do palco, abraçando vários fãs ao final de sua apresentação.

Larry subiu ao palco com mais de uma hora de atraso, quando já se imaginava que o show poderia não acontecer. O motivo foi a regulagem do som e instrumentos, mas valeu a pena: fez o público dançar, e a entrada do palco foi liberada para quem quisesse ir dançar lá com os artistas.

A Virada desse ano foi bastante boa, contando com muitos mais artistas se apresentando, de diversos estilos e em inúmeros pontos da capital paulista. Apesar dos problemas relacionados à parte gastronômica do evento (que podem ser resolvidos após algumas edições de treino), não teve muita violência ou maiores transtornos – sobre roubos e banheiros químicos, não podemos falar tão bem, mas assim como os organizadores pegam prática para resolver problemas, nós pegamos a prática de levar nosso próprio papel higiênico – um preço pequeno pela quantidade de shows gratuitos.

Só faltou uma coisa: show de forró! Cerca de 150 pessoas protestaram contra a falta de apresentações do estilo musical, mas a resposta do diretor de programação da Virada, José Mauro Gnaspini, foi que “não queríamos beneficiar ninguém, então achamos melhor pensar em fazer algo durante o São João”. Estaria aí a possibilidade de um evento só para homenagear os cem anos de Luiz Gonzaga? Tomara!

Laís Preuss


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