Ao vivo, é normal que músicos cometam erros. Alguém pode tocar uma nota errada no teclado, errar o acionamento de uma distorção de guitarra, cantar uma parte da letra errada… enfim, não dá para ser perfeito o tempo todo. Nem sempre as pessoas reparam nos equívocos dos músicos, principalmente porque estão empolgadas de estarem ali na plateia, assistindo sua banda favorita. Entretanto, alguns músicos profissionais pisam tanto na bola que fica difícil não reparar. É o caso dos cinco vocalistas presentes na nossa lista.

Em geral, o rock aborda o canto de maneira mais livre que outros estilos musicais, permitindo que as peculiaridades de um vocalista sejam tranquilamente aceitas (e até celebradas) pelos amantes do gênero. Por esse motivo, a intenção aqui não é criticar o timbre ou a tessitura de um artista, e sim fazer uma observação sobre as más performances dos vocalistas no palco, dentro de suas próprias características.

Billy Corgan
O guitarrista e compositor americano é mais conhecido por ser o líder da banda Smashing Pumpkins, e sua voz é facilmente reconhecida por qualquer um que já tenha ouvido alguma música sua. Em suas gravações de estúdio, os vocais são executados de forma competente, mas nas apresentações ao vivo, a coisa muda de figura. Veja a comparação entre a versão de estúdio de “Today”, música do segundo disco da banda “Siamese Dream” (1993), e a gravada ao vivo durante o festival “Rock am Ring”, em 1994:

Blaze Bayley
Depois da saída de Bruce Dickinson do Iron Maiden, os integrantes da banda fizeram centenas de testes para encontrar um novo vocalista e, depois de ouvirem diversos candidatos, escolheram Blaze Bayley para assumir o cargo, no qual ficou de 94 a 99. O novo frontman do Iron não agradou os fãs, e as vendas dos álbuns de estúdio com Bayley nos vocais ficaram abaixo da expectativa. Evidentemente, muitos sentiam a falta de Dickinson, mas a mudança não teria sido tão problemática, caso Bayley conseguisse manter a afinação e o fôlego durante os shows. Além disso, um erro da banda foi a decisão de não mudar a afinação de algumas músicas antigas, dificultando ainda mais as coisas para o novo vocalista. Assista o clipe de “The Trooper”, faixa lançada em 83 como lado B e cantada por Bruce, e a versão ao vivo com Blaze Bayley nos vocais:

Courtney Love
A musicista americana, que figurou o Top5 Rockeira dos anos 90, ficou conhecida do grande público na década de 90 pelo conturbado relacionamento que teve com Kurt Cobain, o líder do Nirvana que se suicidou em 1994. Além disso por seu trabalho com a banda Hole, que teve grande sucesso comercial com seu segundo álbum, intitulado “Live Through This”, de 94. O modo despretensioso com que Courtney cantava nos discos era sua marca registrada e, apesar de não ser a vocalista mais afinada, conseguia sustentar razoavelmente uma linha melódica com sua voz arranhada. Ao vivo, porém, a falta de pretensão virava descaso com a música. Veja o vídeo de “Northern Star”, música do terceiro álbum de estúdio do Hole, “Celebrity Skin” (98), e a versão gravada em 99 em uma apresentação que o grupo fez na Austrália:

Axl Rose
O cantor americano apareceu para o grande público no final da década de 80, quando a banda Guns N’ Roses lançou o álbum “Appetite for Destruction”, disco que tem mais de 28 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro até hoje. Com o sucesso do álbum de estreia, a banda saiu em uma turnê extensiva, tocando por vários meses em países da América do Norte, Europa e Ásia. A voz peculiar e marcante de Axl definiu parte da sonoridade da banda mas, apesar da competência de sua expressão vocal em estúdio, ao vivo as dificuldades em sustentar a característica das gravações eram evidentes. Confira o clipe de “Welcome To The Jungle”, segundo single do debut da banda e sua versão ao vivo registrada no MTV Video Music Awards de 1988:

Chester Bennington
Quando o Linkin Park surgiu no mainstream com o álbum “Hybrid Theory”, uma das características marcantes da banda era a capacidade de Chester Bennington de cantar alternando entre vocais suaves e gritos potentes, sustentando notas com a voz agressiva por vários compassos. Entretanto, o esforço físico exigido de Chester para manter-se fiel às gravações era incompatível com sua capacidade de performance ao vivo. Com o tempo as cordas vocais de Chester foram sendo exigidas demais, o que o levou a enfrentar uma cirurgia para 2005. Desde então sua voz nunca mais foi a mesma. Sem fôlego e desafinado, o vocalista do Linkin Park sofre nos palcos e fica aquém das expectativas. Isso pode ser comparado na faixa “In The End”, música do debut do grupo e a versão gravada em um show feito em Tokyo, no Japão:

Paulo Gallian


facebooktwittergoogle pluslinkedin