Cego não, mas surdo, vai. Quando sua mãe falava para abaixar o volume do som, ela tinha ótimos motivos: volume alto demais é realmente prejudicial.

Infelizmente sim: você realmente pode ficar surdo se colocar o volume de tudo no máximo. Mas a perda da audição é só uma das consequências, dentre várias que às vezes a gente nem imagina. Para impedir a população de elevar muito o som, existem leis que proíbem volume muito alto a partir de um certo horário ou em um determinado lugar; e existem diversas campanhas, até de artistas, contra o som alto.

Além da perda de audição e do zumbido no ouvido, o som alto causa muitos outros problemas. Um dos mais bizarros é um enjôo e mal estar geral, causado por frequências abaixo dos 15Hz. Começamos a ouvir frequências entre 16Hz e 20Hz, até 20KHz. Sem ouvir as mais graves, abaixo de 15Hz, a gente apenas sente a pressão sonora, causando os sintomas.

Som alto também pode ser a gota d’água para a pessoa ficar com uma úlcera estomacal: em pessoas já suscetíveis ao problema, ficar exposto por algum tempo ao volume sonoro elevado pode alterar algumas funções estomacais e aumentar a quantidade de ácido hidroclorídrico, desencadeando a doença. Martin Polon, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) disse, em um de seus trabalhos, que “A exposição contínua à alta energia sonora cria uma reação ao estresse do corpo, que envolve o sistema gastrointestinal de forma significativa.”

E a coisa fica cada vez mais perigosa: mulheres grávidas que ficam muito tempo em ambientes com música alta demais podem por em risco a formação do feto. A pressão sonora pode causar lábio leporino e fenda palatina no feto durante a gestação, prejudicando também a espinha dorsal do bebê. Nas crianças pequenas, em fase de desenvolvimento escolar, ambientes muito barulhentos afetam sua aprendizagem e já é cientificamente provado que a taxa de batimentos cardíacos dessas crianças é maior.

Por fim, passar a vida tendo a “trilha sonora” muito alta, afeta os demais sentidos do corpo, alterando a sensação de espaço e entendimento dos acontecimentos. Música alta demais diminui a quantidade de sangue que chega ao cérebro, consequentemente diminuindo a atividade cerebral (por causa disso, estudar ouvindo música torna mais difícil a memorização).

Não precisa deixar de fazer a festa por causa disso: o problema é o volume alto demais. Apenas “curta com moderação!”

Laís Preuss


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