DVD da turnê “Time Machine” é uma prazerosa viagem para os fãs da banda.

Em outubro de 2010, os fãs brasileiros do trio canadense Rush receberam a banda pela segunda vez, quando eles aterrissaram no Rio de Janeiro e em São Paulo a bordo de uma máquina do tempo. A turnê “Time Machine” contou com talvez a maior produção de palco, luzes e som que o grupo já apresentou, tocando dentro de um cenário steampunk que imitava o cobre e remetia ao clássico livro “A Máquina do Tempo”, de H.G. Wells – tudo isso para apresentar uma enxurrada de clássicos que formam quase 40 anos de estrada, entre eles, o idolatrado disco “Moving Pictures”, que tocaram na íntegra.

Quem não esteve no estádio do Morumbi (SP) ou na Apoteose (RJ) no ano passado, pôde conferir toda a energia da turnê através do DVD e Blu-Ray “Time Machine 2011: Live in Cleveland”, que chegou às lojas recentemente. Sem mudança de repertório em relação aos seus shows no Brasil, o vídeo mostra muito bem toda a empolgação e produção da apresentação de Geddy lee (baixo, teclado e voz), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria) na cidade que é considerada a capital do rock nos EUA.


As filmagens focaram toda a produção visual da turnê, desde os vídeos engraçados que se passavam no telão (destaque para a engraçadíssima performance cômica de Lee e Lifeson durante o pequeno filme que abre o show) até os esperados closes nas mãos e nos instrumentos dos três músicos – destaque para a belíssima bateria de Neil Peart, construída com o mesmo visual steampunk do cenário e com riqueza de detalhes até nos pratos.


Não pense, no entanto, que o DVD é só visual (apesar de ser um espetáculo para os olhos): a turnê “Time Machine” é um presente para os fãs em vários sentidos. Além de a banda apresentar um set list espetacular, que mistura grandes sucessos das antigas (“Spirit of Radio”, “Subdivisions”, “Closer to the Heart” e outras) com as canções mais recentes (“Far Cry”, “Stick It Out”, “Faithless”), eles trazem duas grandes surpresas. A primeira é a execução de todo o antológico disco “Moving Pictures”, de 1981 – que traz alguns de seus maiores clássicos, como as obrigatórias “Tom Sawyer” e “YYZ” – e outras como “Red Barchetta” e “The Camera Eye” (esta não era tocada ao vivo há muito tempo). Já a outra é a apresentação das faixas “Caravan” e “BU2B”, que o trio apresentou somente pela internet e que farão parte do CD “Clockwork Angels”, programado para ser lançado em 2012.


Assumidamente feito para os fãs que acompanham a carreira do Rush, “Time Machine 2011″ dá mais atenção a detalhes que alguém que está conhecendo a banda agora não conseguiria perceber ou entender, como as “piadinhas” que acontecem no palco, a interação entre os músicos enquanto tocam e as diversas e apaixonadas reações do público quando a banda executa certos “easter eggs” nas formas de arranjos diferentes em certos pedaços de algumas músicas, como a versão reggae do início de “Working Man” – vale dizer que os diretores da gravação do show foram Sam Dunn e Scot McFadyen, os mesmos que produziram o documentário “Beyond the Lighted Stage”.


A superprodução de vídeos e sons extras pode ter deixado o trio um pouco “preso” no palco, impedindo que eles se comuniquem com o público com mais naturalidade por causa da responsabilidade em sincronizar suas performances com o que acontece no telão e no palco. Porém, ao assistir o vídeo, entendemos que foi um pequeno sacrifício a ser feito para que o objetivo final fosse atingido: o de transformar essa turnê em um registro filmado desta que pode ser chamada como a melhor e mais madura fase desta banda que já tem 37 anos de carreira como um dos mais respeitados nomes do rock mundial.


Por Leonardo “Ock-Tock” Paiva

Redação


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