Estávamos todos com fome e pensando em música quando resolvemos montar nossa playlist da Rádio da Redação de hoje. Com muito blues, metal e RPG, estamos dando mais do que dicas de música: apresentamos o que cada um de nós usa para se defender em uma guerra de comida.

Comer TODOS os doces! Ouvir TODAS as músicas!

Amer H, redator de Cinema que luta com uma espada de bacon

Esta semana me lembrei de uma canção extremamente específica: “Paranoid Android” do Radiohead.

Não sou fã de Radiohead, nunca fui fã de Radiohead e provavelmente jamais serei fã de Radiohead. O motivo pelo qual guardo esta música é pura e completa estupefação.

No auge de meus 16 anos, quando eu era um adolescente tonto e impressionável (hoje não sou mais impressionável), fui até a casa de um amigo e ele estava assistindo a MTV, como os jovens faziam na época. O clipe com esta música havia acabado de estrear e meu camarada o assistia. Quando perguntei de que se tratava, ele apenas respondeu “É Radiohead, assiste aí que é muito louco!”

Eu assisti, e ao final de seus seis minutos e um pouquinho de duração, me perguntei o que diabos tinha acabado de ver.
A animação não fazia SENTIDO ALGUM e a música era a coisa mais deprimente que eu já havia escutado, seria capaz de entristecer Atchim e Espirro. De fato, pelo resto daquele dia, lembro-me de ter ficado extremamente desanimado com o mundo.

Não, sério! Na marca de 4:20, a impressão que eu tenho é de que o vocalista resolveu se matar com uma batedeira de bolo e o resto da banda teve de lutar contra ele para impedi-lo, porque eu nunca vi alguém gemer de forma tão angustiada ao cantar uma música.

Hoje, depois de todo este tempo, “Paranoid Android” e seu clipe continuam sem fazer sentido algum para mim. Só entendi que um tarado gordo tentou derrubar um poste em que o Charlie Brown adolescente estava pendurado.

E que aquele cara no bar tinha um parasita em forma de gente no umbigo.

Ainda não gosto de Radiohead. Mas se você está na “vibe” de ficar deprimido, acho que vai adorar esta música.

 

Laís Ravache, redatora de Música que detona o inimigo na base do Pudim de Chocolate

Uma coisa curiosa me aconteceu essa semana: “Simple Man”, do Lynyrd Skynyrd, me perseguiu incansavelmente. Uma dor de cabeça absurda me fez preferir passar a semana longe dos headphones e do iPod, mas os barrigudinhos do Lynyrd se encarregaram de fazer minha trilha sonora.

A música faz parte do primeiro disco da banda, “Pronounced ‘lĕh-’nérd ‘skin-’nérd”, sucesso imediato que traz também ‘Freebird’, ‘Gimme Three Steps’ e ‘Tuesday’s Gone’; e levou o grupo a abrir um show do The Who – tão bêbados quanto possível. Essa faixa, involuntariamente, virou a trilha sonora de um momento da minha vida. É aquela canção que repete no bar quando a gente quer esquecer o mundo, e o mundo faz questão de nos fazer lembrar de tudo… And be a simple (“liga o drive da voz”) kind (“desliga o drive da voz”) of man.

 

Álvaro Freitas, redator de  Séries e TV que só vai à guerra com bombas de chocolate

Essa semana eu tirei para recordar a adolescência e ouvir o primeiro ciclo de histórias da discografia do Rhapsody (que depois virou Rhapsody of Fire, e depois virou Rhapsody of Fire E Luca Turilli’s Rhapsody).

Quando as coisas eram mais simples, essa banda italiana fazia um power metal diferente, muito sinfônico, com uma levada empolgante e heroica – pra não dizer épica. Seus temas eram a história do “Warrior of Ice”, que deveria buscar a “Emerald Sword” para derrotar o “Dark Lord”. Um amigo classifica esse som como “Metal RPG”, e realmente é difícil não ver a relação entre jogos de Dungeons & Dragons e as letras e sons dessa banda. O mais engraçado? Amanhã tem show deles em São Paulo (e eu nem sabia).

Escolhi um dos maiores clássicos da banda, “Emerald Sword”, que tem um refrão extremamente grudento e que foi o hino de toda uma geração de metaleirozinhos jogadores de RPG (ah, época saudosa):

 

Leonardo Almeida, redator do POP Games e exímio lançador de granadas de cerveja:

Essa semana fiquei ouvindo Pixies. Não quero saber de reclamações, quem fala mal de Pixies só conhece a música “Here Comes Your Man”. Ok, pode não ser a melhor música deles, mas nem de longe representa o estilo musical da banda.

Nenhuma banda pode ser julgada ouvindo só uma música, eu particularmente gosto de ouvir um álbum inteiro antes de dizer algo, e um bom sinal é que no mesmo álbum de “Here Comes Your Man” há uma faixa, pouco depois, chamada “There Goes My Gun”.

O álbum é o “Doolittle”, e apesar de ser de fato um dos mais “calmos” da banda, isso não quer dizer que seja feliz ou “bonitinho”. A música que eu escolho é “Hey”, que já apareceu até no seriado “How I Met Your Mother”, e também não é das mais pesadas…quer dizer, musicalmente.

Ouvindo a música ela parece até romântica, mas a letra mal começa e já diz “Deve haver algo entre nós. Talvez seja o diabo…talvez sejam as prostitutas na minha cama”. Não é o tipo de música pra se conquistar alguém, certo? Os Pixies enganam bem o ouvinte desavisado, mas basta prestar atenção que você nota quem são de verdade.
P.S.: As melhores bandas do rock mundial tem mulheres como baixistas. Kim Deal foi o Steven Tyler da minha adolescência

Fabio Zonatto, Redator Nerd & Geek e guardião da lendária clava “Coxa de Galinha” (mordida. Por mim mesmo.)

Kopiklaani – assim que aprendi a pronunciar este nome, pude sair por ai bradando aos quatro ventos no norte escandinavo “Olhem! Escutem este metal com acordeons! É bom demais!”

Sim, é exatamente isto que esta poderosa banda toca: um Folk Metal que faz um uso magistral deste instrumento já tão tido como brasileiro (e que não é – haha.). Músicas com uma pegada bem pesada e muito melódica, muitas vezes cantadas no idioma da pátria da banda – a gélida Finlândia. O som é realmente contagiante (com uma ou duas cervejas, ele fica ainda melhor!)
O inverno está chegando – enfrente-o ao lado destes vikings!

Laís Preuss


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