Armando Lôbo, Edu Kneip, Sergio Krakowski, Thiago Amud e Pedro Moraes explicaram um pouco sobre sua MPB conceitual.

O grupo de cariocas vem se desenvolvendo silenciosamente na última década, com um conceito um pouco diferente do que atualmente acompanha o termo “MPB”. O som deles é um tanto quanto “fora do tempo”, tanto por trazer composições repletas de provocações rítmicas, harmônicas e melódicas como por apresentarem uma obra mais baseada no estudo aprofundado não só na música, como também em filosofia, literatura, arte e religião – fontes raramentes apresentadas pela cultura popular atualmente.

Quando perguntados sobre como se encaixam nesse cenário musical, a explicação é de que seu tipo de MPB simplesmente não se encaixa no que tem aparecido na mídia em São Paulo, representado por Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz e Criolo, além do equivalente carioca com Thalma de Freitas ou Rubinho Jacobina e o neo-MPB de Maria Gadú e Roberta Sá (ou, partindo para os extremos, o estilo popular de Michel Teló). Eles afirmam sua diferença com esses músicos, alegando que a MPB de São Paulo valoriza a cultura popular onde deveria ser valorizada a arte.

O debate ainda parte para outras questões nas quais eles se diferenciam do resto da música nacional, partindo para pontos como o formato da música (mp3 ou derivados) ou outras questões técnicas. Porém, mesmo que esse pequeno grupo de músicos concorde sobre os aspectos da música que fazem com o resto da música popular atual, entre si a história é outra.

Isso pode ser observado no projeto “Confraria da Música Livre”, que rendeu um CD em 2004, com composições de cada músico, reforçados por Fernando Vilela, Paloma Espínola, Mauro Aguiar e outros. Mostrando suas características pessoais, Krakowski mostra um trabalho com mais filosofia, enquanto Kneip traz um pouco mais da malícia de influências como Hermeto Pascoal, Guinga e João Bosco. E depois de tudo isso, é Moraes (foto) que acaba mais se aproximando da tradicional MPB da década de 1960. Com o ar provocador que inova o estilo, traz as músicas que se comunicam melhor com o público desse estilo musical. Muito provavelmente, o novo estilo desse grupo não é algo que vai brilhar da noite para o dia: será uma familiarização gradual. O que também significa que pode durar muito mais tempo do que o “Ai, Se Eu Te Pego” que a gente tem ouvido ultimamente.