Os Sex Pistols irão relançar seu primeiro álbum. De novo.

Através de um acordo com a Universal Music, a banda irá lançar uma nova edição do disco, em versão expandida daquela lançada originalmente em 1977 que revolucionou o cenário musical da época, com seu conceito anarco-punk.

A gravadora se mostrou bastante animada com a possibilidade, informando em comunicado oficial que “O sonho de todo amante da música é ter a oportunidade de reavaliar o catálogo dos Sex Pistols”.

“Os Sex Pistols são os melhores. Agora a Universal tem uma sala de troféus. Se a música é a imitação da natureza, os Sex Pistols são a natureza, então, por favor, nos dê generosidade”, disse o diretor da Universal, Karen Simmons. Não sei não, deve ser um lance meio “Esquadrão da Moda” em que aqueles estilistas pegam a pessoa extremamente mal vestida e transformam o figurino dela para que a pessoa fique mais “apresentável” – e talvez essa alusão ao “Esquadrão da Moda” faça ainda mais sentido do que parece.

É a única coisa que me passa na cabeça quando alguém diz que quer regravar Never Mind The Bollocks.

E não digo isso por já ter enjoado de tocar Anarchy in the UK, God Save the Queen e ter aprendido “Belsen Was a Gas” em um momento realmente punk enquanto estava completamente bêbada com a minha banda. Isso são tempos passados. Meu ponto agora é: que outro álbum deles poderia ser regravado?

A banda surgiu em 1977, quando Malcon McLaren e Vivienne Westwood acabavam de montar sua grife, numa loja chamada “Sex”. Como o estilo das roupas seguia a linha punk/ protopunk da época, com várias bandas como New York Dolls despontando, quiseram montar um grupo que representasse a Sex também. Pegaram dois frequentadores assíduos da loja, Steve Jones e Paul Cook que tocavam, respectivamente, guitarra e bateria. Um empregado da loja, Glen Maltock, ficou a cargo do baixo e a equipe precisava de um vocalista. Eis que aparece um tal Jonny dos dentes podres, que também frequentava o ponto, e cantou no jukebox. Pronto, “Here’s the Sex Pistols”.

Antes de gravar o primeiro disco, Maltock foi trocado por Sid Vicious devido a problemas com Johnny. Então, o primeiro disco da banda foi gravado. Em 1978, a banda acabou. Moral da história: o único disco dos caras é Never Mind the Bollocks, todos os outros são coletâneas unindo músicas do disco e músicas de alguns singles ou gravações ao vivo de alguns shows.

Johnny Rotten seguiu sua carreira solo, montou o PiL e, com essa banda, segue fazendo novidades. Com o Sex Pistols, voltou aproximadamente em 1996 (com Maltock no baixo e lá ficando desde então, já que Sid Vicious havia morrido em 1979 de overdose), fazendo apenas shows, e uma versão, digamos, “inesperada” quando “Anarchy in the UK” foi parar em uma edição dos jogos de Guitar Hero, em 2005. Inesperada porque subiu ao palco um punk que “empacou” na metade da ideologia: o punk é “destruir para reconstruir”. Johnny Rotten parecia apenas destruído.

Não se trata apenas de regravações por cima de regravações. É a falta de inovação não característica do punk. Mesmo os Ramones tinham um grande arsenal de músicas. Clash se renovava a cada disco. E as queridas Pistolas Sexuais, que um dia me colocaram na minha primeira banda, hoje é apenas aquele pedaço de jornal velho e amassado que um fã insiste em alisar e pregar na parede do quarto. Se Karen Simmons conseguir fazer Never Mind The Bollocks soar bem e ter o espírito de novidade que tinha quando foi lançado a primeira vez, garanto que desbanca Adele do topo. Mas nós sabemos que isso vai ser bem difícil de acontecer…

Por: Lais Ravache.

Redação


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