“Os Vingadores” é um bom filme. Excelente até. Os recordes expressivos que o longa angariou nas bilheterias mundiais desde seu lançamento no último dia 27 é mais do que um sinal da qualidade da nova obra de Joss Whedon, mas também um indicador do sucesso daquilo que, sem dúvida, foi uma das mais únicas estratégias comerciais a atingir a recente indústria da sétima arte. Claro, a equipe da Paramount e da Marvel Studios mobilizou lançamento de pôsteres, trailers, teasers e outros acompanhantes publicitários típicos da jornada de um filme da pré-produção para o box office. Mas o grosso da propaganda de “Os Vingadores” não se ateve a meros comerciais de televisão.

Aqui, foram outros blockbusters que serviram como seus outdoors.

A “campanha publicitária” do filme começou em 2008, na cena pós-crédito de “Homem de Ferro”, e desde então mobilizou uma verba estimada na casa de US$ 780 milhões (dinheiro que poderia comprar espaço de publicidade no acirradíssimo intervalo do campeonato Super Bowl por ao menos 200 anos), envolveu talentos consagrados como Robert Downey Jr., Edward Norton, Natalie Portman e Anthony Hopkins no transcorrer de cinco filmes e até trouxe alguns novos pesos-pesados para debaixo dos holofotes (como foi o caso do diretor Jon Favreau e o genial ator Tom Hiddleston). “Os Vingadores” portanto, foi produto de uma estratégia que tomou quatro anos e rendeu perdas e ganhos na casa dos milhões para os cofres da Marvel. Uma estratégia que também nunca deixou a mente dos fãs desde o fatídico encontro entre Robert Downey Jr. e Samuel L. Jackson nos últimos minutos de “Homem de Ferro”, e que vinha construindo expectativas desde então.

Por isso, este artigo não estaria aqui se Joss Whedon não tivesse conseguido entregar um longa à altura de todo o investimento financeiro e emocional em cima de seu filme. Isso o diretor fez de maneira brilhante. O grande trunfo de “Os Vingadores” está em uma qualidade geralmente destinada a campanhas publicitárias: tudo neste filme tem força de marca! Apesar do diretor não medir esforços em colocar os acontecimentos do filme em ação logo nos primeiros minutos, boa parte do primeiro ato é dedicado a apresentar os personagens e construir pouco a pouco o time que dá nome ao longa. Tudo tem seu “build-up” – o filme dedica preciosos mintos até mesmo para mostrar a fortaleza voadora da S.H.IE.L.D. O filme funciona porque, em todo momento e em cada aparição de um dos heróis, Whedon continuamente reforça os temas próprios dos personagens. Mesmo que a história não separe arcos narrativos definidos para personagens além do Dr. Banner (Mark Ruffalo) e da Viúva Negra (Scarlett Johansson), cada um tece com maestria alguns pequenos detalhes individuais. Chris Evans se comunica quase que unicamente com maneirismos de avô em seu papel como Capitão América, enquanto Chris Hemsworth transmite um distanciamento típico de um Deus em todas as falas como Thor, por exemplo. Até mesmo quando o longa entra em seu acelerado terceiro ato, o diretor cria cenas de ação que fazem sentido para cada um dos heróis.

É isso que torna “Os Vingadores” algo único entre filmes de heróis. Este é o primeiro longa sem um número acompanhando o título que descarta completamente histórias de origem a favor de mostrar o que de fato faz estes heróis especiais para início de conversa. Sim, o filme é cheio de ação energizante e com um senso de humor infernal, mas é também o melhor filme de seu gênero quando decide contar histórias sobre seus personagens, sem se focar demais em planos mirabolantes de dominação mundial ou dramas psiccológicos. Ao deixar de lado vítimas como Tio Ben e Bucky Barnes, e em escapar dos Becos do Crime e Kryptons, Os Vingadores mostram o que filmes de heróis (Marvel ou DC, tanto faz) podem ganhar em mostrar justamente o que nos faz admirar nestes indivíduos de roupas colantes.

por Leonardo Ávila

Amer H.


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Jornalista profissional que tem o tamanho de um urso e argumentos quase tão bons quanto os de um.