“Homem-Aranha 3″ é um bom filme

Vou dizer algo que vai fazer muita gente querer me bater: acho que “Homem-Aranha 3” é um bom filme.
Agora, o filme tem lá seus defeitos, mas acho que as pessoas são muito injustas quando se referem a ele. “Homem Aranha 3” não é o melhor da trilogia, mas sejamos francos… é muito superior aos dois filmes do Justiceiro, os dois do Quarteto Fantástico e que “Demolidor – O Homem sem Medo”.
E eu nem vou começar a falar de “X-Men 3 – O Confronto Final”.
Então, deixem-me explicar o que gosto nesse filme.
Primeiro, adoro como ele explora a dualidade do nosso herói. Até o momento, Peter Parker era um paradigma da justiça, tão dedicado a fazer o bem como Homem-Aranha, que até deixava sua vida pessoal de lado por causa disso. Mesmo quando decidiu abandonar a máscara no segundo filme, ele não o fez por muito tempo, sendo motivado a voltar a ativa pela sua enorme responsabilidade.
Em “Homem-Aranha 3”, ele torna-se hospedeiro de um simbionte alienígena que alimenta-se de emoções negativas. Tudo que o personagem tinha de ruim veio a tona, ele tornou-se violento, mulherengo, enfim, um completo cretino. Assim que percebeu o quanto o uniforme lhe fazia mal, Peter separou-se dele.
Temos aqui uma complexa batalha pela própria moralidade. Parker, o senhor certinho, tem um lado ruim, como todos nós, e precisou confrontá-lo em um dado momento. Eventualmente, ele conseguiu controlar-se, mas não sem causar danos a seus relacionamentos.
Mais uma vez, a culpa por ter sido perverso e a responsabilidade de assumir e compensar por seus erros, são temas sempre presentes na vida do herói e ambos foram muito bem tratados aqui.
Quanto aos vilões… concordo que três deles são demais. Eu poderia ter passado sem o segundo Duende Verde. Mas devo dizer que Topher Grace funcionou como Venom.
Tudo bem, Grace parece ser feito de palitos de sorvete e eu também achava até pouco tempo atrás, que um sujeito enorme e bombado seria mais adequado ao papel. Exceto que uma vez que o enom é a versão maligna do omem-Aranha, faz todo sentido que Eddie Brock, sua parte humana, seja um “Peter Parker” distorcido, franzino igual até.
Finalmente, temos o Homem-Areia. Nos quadrinhos, ele é simplesmente um bruto composto e areia, com a capacidade de moldar seu corpo como bem entender. Aqui, ele ganhou uma profundidade que nunca recebeu originalmente.
Em “Homem-Aranha 3”, vemos que ele é um bom pai, que ingressou na vida do crime apenas porque precisava de dinheiro para cuidar de sua filha doente. De fato, na primeira vez que se transforma, ele só consegue assumir forma sólida quando pensa em sua filha e em como ela precisa dele. Ele pode estar do lado errado da lei, mas entendemos seus motivos e sentimos empatia por ele.
Ele também é o verdadeiro culpado pela morte do tio Ben. Embora mudar a mitologia do Homem-Aranha desse jeito seja um pouco… questionável, seus encontros com o herói tornam-se mais emocionais, pois existe a temática da vingança envolvida. Quando alguem tem a chance, ele deve se vingar daquele que lhe fez mal? Mais uma camada de moralidade adicionada ao filme.
E ée por estes motivos que gosto muito de “Homem-Aranha 3”. Pode não ser perfeito, mas eu ainda preferia que Sam Raimi tivesse continuado com sua série a ver um reboot.
Mas ainda acho que a Mary Jane não merecia tanto tempo de tela. Deus do céu, que personagem chata!
Amer H.
Jornalista profissional que tem o tamanho de um urso e argumentos quase tão bons quanto os de um.















Dos filmes do Aranha que o Sam Raimi fez, o terceiro é o pior e o próprio diretor já admitiu isso. Foi um filme forçado com a adição do Venom sendo imposta, não uma opção do diretor. Creio que foi essa forçada de barra que fez que Sam Raimi e Tobey Maguire se afastassem da franquia.