É um clichê falar isso, mas certos atores acabam presos a imagem de seus personagens. Christopher Reeves sempre será associado ao Superman, Mark Hammil nunca se desvencilhará de Luke Skywalker, o Arnold permanecerá como o Exterminador do Futuro e Malcolm MacDowell é lembrado até hoje por seu papel como Alexander DeLarge em “Laranja Mecânica”.

Da mesma forma, Daniel Radcliffe terá de suar um bocado e quiser deixar de ser visto como Harry Potter, o menino que sobreviveu e chutou a bunda de “Você-Sabe-Quem”.

O fato é que Daniel tem um currículo invejável para alguém de sua idade e já encarou muito mais papéis do que meramente ser o aluno favorito de Hogwarts. Assim, em celebração a seu aniversário (PARABÉNS!!! VIVA!!!), selecionei cinco atuações memoráveis do rapaz ao longo de todos os seus anos de carreira.

E vamos nós!

“David Copperfield” (1999)

A adaptação da obra homônima de Charles Dickens foi o primeiro papel profissional de Daniel, que interpretou o protagonista que dá nome a história, quando este ainda era criança.

David Copperfield é um garoto que come o pão que o diabo amassou, ao ver sua mãe se casar com um sujeito que é um canalha tirano. Sua vida gradualmente piora graças aos conflitos com seu padrasto, que o envia para um colégio interno (mal agradecido) e que parece fazer todo o possível para dificultar sua existência.

Mas o rapaz persevera e aos poucos começa a acertar sua vida, tendo sucesso como escritor e encontrando o amor que tanto desejava.

Se este filme prova alguma coisa, é que o núcleo artístico da Inglaterra é minúsculo. Metade do elenco de “Harry Potter” pode ser encontrado aqui: Maggie Smith, Zöe Wannameker, Imelda Staunton, Dawn French Paul Whitehouse estão todos presentes nesta produção.

Mundo pequeno…

“O Alfaiate do Panamá” (2001)

Aqui, Daniel não tem um papel muito grande. A verdade, ele é apenas o filho dos protagonistas Harry (Geoffrey Rush) e Louisa Pendel (Jamie Lee Curtis), os reais protagonistas da história. O filme traz uma história de conspiração política e trapaça, envolvendo muitos que estiveram presentes durante o regime do presidente Noriega no Panamá.

O menino apareceu neste filme para fazer mera figuração. De fato, seu tempo total em tela pode ser resumido em menos de três minutos.

Mas bem, este foi seu último papel antes que a sorte batesse em sua porta e ele se tornasse o menino com uma cicatriz na testa. Prova de que todos estamos a uma mera coruja de distância do sucesso.

“Um Verão para Toda a Vida” (2007)

Este drama foi filmado entre o quinto e o sexto filmes da saga de Harry Potter, um sinal de que Daniel estava pronto para se arriscar em novos trabalhos. Neste longa, ele interpreta “Maps”, o mais velho de um grupo de meninos que cresceram em um orfanato católico na Austrália.

A história conta sobre amadurecimento, mas de um jeito diferente da saga do bruxo de J.K Rowling. Enquanto em Hogwarts ele tem o auxílio da magia para facilitar sua vida, aqui ele precisa lidar com a separação de seus amigos, um coração partido e as tradicionais dificuldades da vida contando apenas consigo mesmo.

Um papel diferente de como estávamos acostumados a vê-lo e que sem dúvida provou sua versatilidade como ator.

“My Boy Jack” (2007)

Nesta produção, Daniel representa Jack Kipling, filho do famoso poeta inglês Rudyard Kipling, e um jovem que pretendia se alistar no exército durante a Primeira Guerra Mundial a qualquer custo. Sua visão menos do que perfeita o tornava um candidato improvável, mas a influência das pessoas certas lhe garantiu uma posição no conflito.

O filme não tem o mais feliz dos desfechos e fãs de Harry Potter com certeza irão debulhar-se em lágrimas ao assistirem esta produção. Mas com ela fica claro que Daniel não faz a menor questão de interpretar apenas heróis invencíveis. Bons personagens são os que mais lhe apetecem.

“A Mulher de Preto” (2012)

E quando achamos que Daniel não queria mais enfrentar criaturas sobrenaturais… eis que ele dá as caras em “A Mulher de Preto”.

Nesta produção, ele é um jovem advogado incumbido de adquirir os documentos para vender uma velha mansão abandonada. Logicamente, os papéis encontram-se no interior da mansão… que também… LOGICAMENTE… é assombrada.

E agora? Que fazer sem poder conjurar um Patrono? Pois é, Daniel tem de rebolar para sobreviver aos horrores presentes na casa, neste que é pessoalmente, o meu filme favorito desta lista.

O motivo é simples: poucos atores de nome hoje em dia arriscam-se no campo do terror, gênero que é visto com pouco respeito por muitos dos envolvidos na indústria cinematográfica. Para Daniel envolver-se em uma produção como esta, ele não apenas tem segurança de que seu nome não será manchado diante dos “esnobes” de Hollywood, como também viu neste tipo de trabalho uma chance de crescer como profissional.

E este é um exemplo que deveria ser seguido por mais gente. Parabéns, Daniel Radcliffe!

Amer H.


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Jornalista profissional que tem o tamanho de um urso e argumentos quase tão bons quanto os de um.