Crítica: Sombras da Noite

Sou um grande fã dos filmes de Tim Burton. De fato, até “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, eu tinha o hábito de assistir a qualquer lançamento seu ao menos duas vezes no mesmo dia, para poder absorver melhor todos os detalhes em sua estética exageradamente gótica.
Dito isso, admito que fui assistir “Sombras da Noite” sem saber o que esperar. Após ler algumas críticas negativas sobre o longa e ver colegas referindo-se a ele como “a decadência de Tim Burton”, fiquei preocupado que o diretor finalmente tivesse perdido se jeito.
Após ver o filme no entanto, devo dizer que “Sombras da Noite” não é um trabalho ruim, apenas curto demais.
Aqui, conhecemos Barnabas Collins (Johnny Depp), único herdeiro de uma família que tornou-se milionária no século 18, graças a sua empresa de pesca. Barnabas vivia como todo bom playboy, destruindo corações e não se prendendo a ninguém… até o dia em que cometeu o erro de rejeitar Angelique (Eva Green) que era uma bruxa.
Bom, vocês podem imaginar aonde a história vai parar daí. Angelique amaldiçoa Barnabas, faz com que seu verdadeiro amor cometa suicídio e o transforma em um vampiro. Não satisfeita, ela convence os aldeães a o trancarem em um caixão e o enterrarem vivo. Barnabas permanece debaixo da terra por duzentos anos é despertado na década de 70, onde descobre que seus últimos parentes vivos há muito esqueceram a glória da família Collins.
Sobra-lhe a tarefa de recuperar o prestígio que um dia fora seu, mas para isso, ele precisará lidar com a mulher de negócios que destruiu o império de sua família nas últimas gerações: Angelique.
“Sombras da Noite” foi baseado em uma novela que seguia o mesmo enredo, e que foi ao ar na televisão norte americana no final da década de 60. Adaptar uma série de televisão que durou quase meia década e convertê-la em um filme de pouco menos de duas horas é uma tarefa difícil, como Tim Burton deve ter descoberto.

Vou começar falando daquilo que o filme tem de bom: o humor e seu estilo.
O visual dos personagens é espetacular, com o tom gótico que é a marca registrada do diretor desde “Os Fantasmas se Divertem”. O cuidado ao recriar as roupas e penteados do início da década de 70 também demonstra um cuidado todo especial em fazer tudo parecer genuíno, a missão foi cumprida com perfeição neste quesito.
O humor também funciona muito bem, com piadas agressivas e mais adultas, que normalmente não constam nos filmes de Tim Burton. Grande parte da graça da história vem do choque cultural de Barnabas, que ajusta-se a turbulenta época dos hippies da maneira mais desengonçada que pode.
Sua breve obsessão com a lâmpada de lava no quarto da filha adolescente da família e sua confusão com a televisão (“que bruxaria é essa?”) são sensacionais. Mas o melhor momento é sem dúvida quando ele vê o “sinal do diabo” no mundo moderno.
E o elenco é grandioso, com excelentes profissionais como Chloe Grace Moretz, Jackie Earle Haley, Eva Green, Helena Bonham Carter e claro, a espetacular Michelle Pfeiffer.
Infelizmente, não basta ter grandes atores… é preciso saber usá-los.

Os personagens são apresentados da forma mais breve possível. Michelle Pfeiffer é a matriarca da família que tenta manter o pouco de dignidade que lhes resta, Chloe Moretz é sua filha adolescente rebelde e que sexualiza-se numa tentativa de parecer madura, ms que consegue apenas gerar desconforto na plateia, Helena Bonham Carter é a terapeuta alcoólatra do sobrinho problemático da família e por aí vai.
Nenhum membro da história é devidamente desenvolvido, recebemos estes personagens prontos e assim eles permanecem até os minutos finais do filme. Depp é aquele que permanece mais tempo em tela, e embora faça um trabalho sensacional, seria bom ver mais dos outros membros da família, seres tão deliciosamente cheios de conflitos, que seria fantástico ver como farão para resolvê-los.
Não satisfeito em deixar os problemas existentes em aberto, “Sombras da Noite” ainda cria novas situações ao longo de sua trama, que na maioria das vezes, não recebem uma resolução satisfatória. Tudo é muito breve e rápido e mal uma questão é lançada, já somos brindados com outra, que na maioria das vezes, terá uma resolução igualmente não satisfatória.
A impressão que fica é a de que Tim Burton poderia ter transformado a história deste filme em uma trilogia com começo, meio e fim bem definidos, caso tivesse dado aos personagens e ao enredo a chance de crescerem.

“Sombras da Noite” faz muitas coisas da maneira certa, mas isso apenas torna suas falhas mais evidentes. Não é o ponto alto da carreira de Tim Burton, definitivamente, mas pode agradar a seus fãs e a aqueles que buscam uma comédia diferente, detentora de um humor mais sombrio e cheio de tiradas.
Alice Cooper também aparece no filme e nós sabemos que ele sempre torna tudo melhor.
Amer H.
Jornalista profissional que tem o tamanho de um urso e argumentos quase tão bons quanto os de um.















Eu curti o filme.. Não achei aqueeele filme, mas me diverti. ySem contar que o johnny depp faz esse tipo de personagem mto bem.
acho que deveria se informar mais antes de fazer esses comentários mais breves que o filme! não faltou ver se ia ter continuação, não? se não tava afim de assistir, era só… NÃO ASSISTIR! mas criticar sem saber nada é o mesmo que ir no banheiro e não se lavar! vai arrumar outra profissão! :/