Um filme novo com fantasmas antiquados

A família Lambert acaba de se mudar para uma nova casa tentando colocar sua vida nos eixos. Porém antes que Josh (Patrick Wilson) e sua esposa Renai (Rose Byrne) conseguissem ter firmeza em suas vidas, um de seus filhos, Dalton (Ty Simpkins), entra em um coma inexplicável. 3 meses depois, sem qualquer melhoria no estado do garoto, estranhos fenômenos começam a se manifestar, e o casal descobre, com a ajuda da vidente Elise (Lin Shaye) e sua equipe que a situação não é nada que possa ser explicado pela medicina – o espírito de Dalton está longe do corpo, que agora está cercado de espíritos malignos e até mesmo um demônio que desejam tomá-lo.

Uma série de enganos podem afastar parte do público de Sobrenatural (Insidious, 2010), começando pelo próprio título, completamente distante da idéia original. A comunicação do filme, mostrando Dalton possuído, também distancia bastante o foco principal do longa, que mais do que a possessão em si, usa os fantasmas e aparições para trabalhar os sustos. E é exatamente nesse ponto que estão as melhores (e mais estranhas) partes da produção.

Apesar da publicidade fazer questão de chamar a atenção ao fato de ser um filme dos criadores de Jogos Mortais e Atividade Paranormal – o diretor James Wan dirigiu o primeiro Jogos Mortais, atuando como produtor executivo das sequências; o roteirista/ator Leigh Whannell atuou e escreveu vários filmes da série e o produtor Jason Blum também produziu todos filmes da franquia Atividade Paranormal – não espere ver o sangue e vísceras do primeiro, mas sim o clima tenso e os elementos sobrenaturais do segundo.

Apostando numa estética oitentista, temos várias questões estilísticas que lembram clássicos do horror, começando pela apresentação de créditos estilizada, até ângulos de câmera, artifícios, estilos de susto e a própria evolução do roteiro. Fugimos bastante das apostas mais recentes do gênero, mesmo de Atividade Paranormal – sim, temos objetos mexendo e demônios/espíritos, mas as semelhanças duram pouco.

Conforme as aparições começam a surgir com maior força, a sensação oitentista aumenta – seja com maquiagens ou na própria aparência dos mortos (cadavéricos, sem serem sangrentos ou mutilados). Porém não deixe que a idéia sugira uma produção de baixo orçamento: fica aqui um grande mérito pela possibilidade de assustar com pouco.

E de fato nenhum dos sustos é especificamente original. Conforme as cenas passam já sabemos o que esperar e quando esperar, inclusive no final. Ainda assim, a tensão permanece e os sustos (no estilo clássico de “surgir subitamente”) funcionam quase sempre. Um crédito fica ao roteiro, abordando vários conceitos de fantasmas, demônios e do próprio “mundo espiritual” (“The Further”, ou “O Além”, no filme) de maneira bem original, ainda que o restante do filme possa deixar uma familiaridade por vezes beirando o desconfortável.

Contando com algumas caras conhecidas, temos personagens interessantes, porém nenhum que seja especificamente memorável. Renai, personagem de Rose Byrne, em vez da compaixão do público pode trazer irritação em certas partes, mas fica a dúvida se a responsabilidade é da própria atriz ou do roteiro que teve que seguir.

Boa opção para os fãs do horror que buscam uma abordagem diferenciada, ou ao menos um retorno aos valores mais tradicionalistas do gênero no cinema.

Redação


facebooktwittergoogle plus