Crítica: Projeto X – Uma Festa Fora de Controle

Na década de 1980, o que mais existia eram filmes de adolescentes imbecis fazendo coisas estúpidas na esperança de se darem bem com as mulheres. Posso citar pérolas como “Férias do Barulho”, “Férias da Pesada” e “O Último Americano Virgem” como exemplos deste gênero que um dia dominou as telonas.
Com o tempo, tais produções caíram no ostracismo e desapareceram. A coisa mudou um pouco com o lançamento de “Superbad – É Hoje”, que com um excelente roteiro, mostrou que esse estilo ainda tinha salvação.
Bom… “Projeto X – Uma Festa Fora de Controle” tenta se aproveitar desse filão e não duvido que tenha sucesso na empreitada.
A história segue a vida de três fracassados sociais: Thomas (Thomas Mann), Costas (Oliver Cooper) e J.B (Jonathan Daniel Brown). O trio é inseparável, unido talvez pela alienação que sofrem do resto da escola. Como todos os adolescentes do mundo, eles vivem de sacanear um ao outro, algo que meio que prova a solidez de sua amizade.
É aniversário de Thomas e Costas decide que a melhor forma de celebrá-lo, é dando uma festa épica, que os torne lendas dentro do círculo social escolar, a coisa com o qual eles mais sonham. Relutantemente, Thomas aceita.
O problema é que Costas se empolga e divulga a festa para possivelmente o país inteiro. Dezenas (talvez centenas) de pessoas comparecem a celebração regada a álcool e ecstasy e as coisas saem do controle.
Não vou falar muito, mas contemplamos um anão socando as partes baixas de todos em seu caminho, um maluco com um lança chamas e muita nudez gratuita.
A história é filmada ao estilo “documentário”, como foi feito com “A Bruxa de Blair” e “Cloverfield – Monstro”. O estilo funciona, com diversas tomadas dando a impressão de terem sido feitas em uma rave genuína.
O grande problema deste filme está em seu roteiro, que não é exatamente o mais trabalhado do mundo. Nos primeiros dez minutos de filme, podemos prever tudo que acontecerá no resto dele, quando ouvimos a extensa lista de regras que o pai de Thomas deixa para ele. Quando ele diz “não toque no meu carro”, fica óbvio que o veículo não sobreviverá aos acontecimentos do longa.
E também não há um grande desenvolvimento de personagens. O trio principal começa o filme como uma trupe de idiotas irresponsáveis e termina como tal. Mesmo as tentativas de evoluir o protagonista soam artificiais e corridas demais dentro do contexto em que são apresentadas.

Os atores cumprem seu papel, pra melhor ou pra pior.
Se um diretor jogar um bando de adolescentes em um cenário caótico e os mandar duplicar aquilo que já fazem em festas e baladas, eles provavelmente saberão o que fazer, por pura experiência e deve ter sido o que aconteceu aqui.
O elenco é bem convincente ao interpretar um bando de jovens que se deixam levar pela bebida e pelo ambiente e se tornam um bando de selvagens em uma única noite. Os poucos adultos também cumprem seu trabalho e funcionam bem como os alienados que esperamos que este tipo de personagem seja ao longo da história.
Quem rouba a cena mesmo é Oliver Cooper. Seu personagem é irritante, arrogante, convencido e sempre tem uma história mirabolante para contar sobre seus grandes feitos na vida. Todos já tivemos um amigo assim, que sempre nos arrastava para suas idiotices, mas de quem não conseguíamos nos afastar. Muitos vão querer socar Costas ao fim da sessão, mas ele é com certeza aquele que mais ficará na memória na saída do cinema.
A direção, como eu disse antes, é competente. Em sua estreia como diretor, Nima Nourizadeh faz um bom trabalho em criar um ambiente totalmente caótico e desesperador. Em alguns momentos, a celebração se parece mais com uma cena de desordem pública do que com uma festa, mas talvez seja isso mesmo que acontece em grande parte das vezes em que algo em tamanha escala é organizado na vida real.

Agora, eu sou um velho ranzinza e não tenho nenhum interesse em nada que este filme poderia apresentar. As piadas não me fizeram rir, os personagens me irritaram e a história me entediou ao ponto das lágrimas em mais de um momento, uma vez que possuo um desgosto bastante profundo por baladas, raves e tudo mais.
Mas como eu disse, sou um velho ranzinza. O que me desagrada pode fazê-los rolar de rir e se a descrição de uma festa descontrolada, barulhenta, cheia de caos e socos em genitais lhe parece divertida, vai fundo. Tenho certeza que você irá adorar “Projeto X – ma Festa Fora de Controle”.
E agora, se me dão licença, vou tomar um chá de camomila e escutar música calmante, como bom idoso que sou.
Amer H.
Jornalista profissional que tem o tamanho de um urso e argumentos quase tão bons quanto os de um.















"Palmas à direção, que conseguiu criar realmente a festa mais épica de todas." …
http://www.beepbopboom.com.br/2012/03/projeto-x.h…