Crítica: Paraísos Artificiais

Com direção de Marcos Prado, “Paraísos Artificiais” é uma produção brasileira que fala sobre sexo, drogas e… música eletrônica. Mas a partir da droga, em especial o Ecstasy, que já sugere o título e o teor da produção, temos um drama interessante, que mais do que o social, fala de elementos humanos básicos com os quais qualquer um pode se relacionar.
Na trama, acompanhamos Nando (Luca Bianchi) que acaba de sair da prisão. Voltando para casa, encontra uma estrutura familiar em pedaços e descobre que o irmão, Lipe (César Cardadeiro) está envolvido com drogas. A descoberta o faz lembrar sobre o próprio passado quando viveu, em Amsterdã, um romance com a DJ brasileira Érika (Nathalia Dill). O passado, porém, reserva muito mais para a dupla – apesar de Nando não se lembrar, Érika já o conhecia de uma grande festa rave em Recife, a qual havia vivido sua própria aventura junto da amiga e namorada Lara (Lívia de Bueno).
Se passando em três diferentes tempos, o filme conduz uma história cheia de paralelos que se completam de maneiras tanto complexas quanto simples. Muito do que acontece fica implícito num primeiro momento, mas acaba escancarado pela comparação e evolução das cenas. Depois da cena inicial no presente, o enredo segue quase até o final alternando entre 6 e 4 anos atrás, respectivamente na rave em Recife e na viagem para Amsterdã. As diferenças de passagem no tempo dizem muito, e mesmo que surjam dúvidas de porque estamos vendo uma ou outra cena, quando tudo se completa e temos as respostas, temos satisfação de estar acompanhando o enredo.

Grande parte da qualidade da história se deve aos personagens. Por um lado, Nando e Lipe não fogem muito do clichê do drama de conflito familiar – irmãos que se amam, que brigam, assim como o sofrimento da mãe da dupla com um filho recém-saído da prisão e outro que se torna cada vez mais revoltado. Por outro, a história de Érika captura a atenção do público, seja por sua amizade e romance com Lara, com Nando, ou sua coleção de problemas e pendências internas que acabam sendo um dos grandes assuntos do filme.
Sendo francos, o elenco feminino, e em especial Nathalia Dill, também rouba a cena pelo grande volume de cenas de nudez e sexo. Por mais que as cenas possam ser até mais longas e explícitas que a média, nenhuma delas parece gratuita, dizendo muito tanto dos personagens quanto do enredo, e gerando no público mais resposta emocional do que física.

Pairando por toda a história como um personagem extra estão as drogas. A idéia aqui não é de uma “temática” de drogas – apesar de alguns clichês como a família de Nando, o filme foge de algumas armadilhas de “filmes de drogas” – mas de uma presença que permeia as ações dos personagens. Como o sábio bicho-grilo Mark (Roney Villela) diz aos personagens, a droga não traz nada de ruim – os anjos e demônios estão dentro dos personagens, e a droga apenas os intensifica e traz à tona. E demônios internos não faltam, com uma trama que fala bem de culpa, arrependimento, tristeza e ódio. Mas sempre há a esperança, com momentos positivos que trabalham fortemente amor e amizade.
Um elogio fica para os aspectos técnicos, com ótimas localidades e ambientação, assim como excelente maquiagem e caracterização que diferencia bem os três tempos dos personagens. A trilha, repleta de música eletrônica, divide o som da rave e dos clubes em que Érika toca, ditando o ritmo ideal para a história. (A propósito, antes que seja tarde, fica uma menção especial para o elenco de secundários que, sejam estrangeiros ou não, souberam falar o inglês sem qualquer sotaque falso)
Com uma ótima montagem e produção, “Paraísos Artificiais” é uma opção para quem quer um drama de qualidade. Apesar de não fugirmos de algumas coisas já vistas (afinal, porque temos tantas produções nacionais envolvendo drogas?), se destaca por uma estética, temática e cenas de certo modo ousadas para o grande circuito – uma mudança refrescante e extremamente bem-vinda.

Rodrigo Ortiz
Escritor, leitor compulsivo, jornalista, publicitário e, é claro, nerd de carteirinha. Rodrigo Ortiz é fanático por todas as artes, mas principalmente por tudo o que contém letras, inclusive em línguas estrangeiras.
















Já vi que não presta. Filme nacional que tem sacanagem é porque não tem condições de atrair por outros motivos.
Gostei muito do filme e da crítica! Tive uma visão muito parecida. Veria de novo com prazer! Abraços!
Fui assistir o filme pensando em uma temática de drogas, pura e simplesmente, e fui surpreendido com um drama interessante.
Vi hoje, é um bom filme. Dêem uma chance ao cinema nacional, o Brasil tem feito bons filmes.
In finance there is a declaring: really don't argue the Fed; and, in relation for the stock sector, you should not combat the tape. Effectively, in politics we should really say: don't fight the polls. Parse as we will, the polls consistently demonstrate Obama ahead. Being sure, some are tighter than many others, but all demonstrate that trend, particularly the state polls on the swing states which are seriously the only meaningful kinds to consider. What's my point with these kinds of negativity? We conservatives should be concentrating upon saving a few of our excellent folks that are operating to the House or Senate by contributing to their campaigns.
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