Crítica: Para Sempre

Singelo e Belo
Chegando com alguns meses de atraso ao Brasil, “Para Sempre” (“The Vow”) tem uma premissa interessante, que muitos de nós já se perguntaram alguma vez: como nossas vidas se tornaram o que são? Que decisões ou momentos definiram como tudo se tornou?
Inspirado (note a diferença entre “inspirado” e “baseado”, ok?) em um caso real, neste filme acompanhamos a história de Paige (Rachel McAdams) e Leo (Channing Tatum). Após se conhecerem por acaso, a dupla se apaixona e se casa. Quando o casal sofre um acidente automobilístico em um dia de neve, Leo descobre que sua esposa não se lembra dos últimos cinco anos de sua vida – o que inclui, entre muitas coisas, ele mesmo e o amor dos dois. Agora, enquanto tenta lidar com a esposa “de outra época” e tenta reconquistá-la, Leo se vê lutando contra as circunstâncias, assim como contra a resistência da família da jovem, que vê na amnésia uma chance de controlar sua vida.
Cada escolha que fazemos conspiram para que cheguemos em algum lugar. Como Leo – assim como, claro, todo o dilema envolvendo Paige – repetidamente nos lembra na trama, isso inclui até mesmo as pessoas que conhecemos. Se você não tivesse estudado na escola ou faculdade em que estudou, não teria os mesmos amigos. Se não morasse na mesma cidade. O filme já se diferencia de romances tradicionais por levantar essa bandeira.

A dupla principal tem grande crédito aqui: de um lado, o dilema de Leo parece palpável, e de outro a confusão dos sentimentos de Paige também. É possível nos identificarmos com ambos personagens de maneiras diferentes. É claro que os atributos físicos da dupla ajudam muito, assim como o clima “Puppy Love”, acompanhado do estilo indie de sua casa, roupas, assim como parte da trilha sonora. O fato dos dois serem artistas, cada um a seu modo (ele tem uma gravadora e ama música; ela é uma artista plástica) dá um “quê” de sonhadores que ajuda muito. É difícil não querer se tornar amigo(a) dos dois – seja antes ou depois da amnésia de Paige.

Não só isso, o enredo da produção foge de soluções mágicas e mantém por boa parte do tempo os pés no chão. Paige desmemoriada abandona desde pequenos hábitos até grandes decisões de vida. Vê-la atraída pelo ex-namorado dói tanto em Leo quanto no público. Conforme a trama avança, outros problemas de “vida real” levam a decisões difíceis, que nos fazem questionar o que faríamos no lugar deles.
Os secundários complementam bem a trama e, apesar de caírem em alguns clichês, especialmente nos pais de Paige (Jessica Lange e Sam Neill), ajudam a desdobrar as idéias principais do filme, especialmente pela influência que notamos que exerceram e exercem nas decisões da personagem.

Perfeito para o clima de Dia dos Namorados ou para fora dele, “Para Sempre” é um romance inteligente e interessante que, garantindo ou não alguma reflexão, gera corações aquecidos, algumas risadas e, dependendo da sua sensibilidade, algumas lágrimas.
Rodrigo Ortiz
Escritor, leitor compulsivo, jornalista, publicitário e, é claro, nerd de carteirinha. Rodrigo Ortiz é fanático por todas as artes, mas principalmente por tudo o que contém letras, inclusive em línguas estrangeiras.
















Adorei o post. Eu assisti o filme antes do lançamento no Brasil, e acredite, concordo plenamente com você. Parabéns pela crítica.
Concordo plenamente com o que foi exposto aqui. Assisti a esse filme e achei maravilhoso e recomendo.
Apesar de não ter assistido o filme ainda ele esta super recomendado adorei a crítica e certamente vou arranjar um tempinho pra vê-lo, pois sou muito fã de filmes românticos.