A sequência superou o original

Depois da derrota do vilão Tai Lung, o panda Po (no original, voz de Jack Black) e seus amigos lutadores de Kung Fu continuam a garantir a paz do vale em que vivem. Isso é, até que um grupo de guerreiros ataca um vilarejo próximo e Po e seus companheiros acabam descobrindo uma grande trama liderada pelo maligno pavão Shen (no original, voz de Gary Oldman) para dominar a China e acabar com o próprio Kung Fu. Os heróis partem em viagem para deter o vilão e seus temíveis canhões de guerra, assim como para descobrir tudo sobre o desconhecido passado de Po.

Seguindo o molde do anterior, temos um filme repleto de lutas e ação, além do característico humor de Jack Black, que alterna momentos de pastelão e trapalhadas com tiradas e trocadilhos. As melhorias já são claras desde o começo, com algumas liberdades maiores de humor, já que o público está mais familiarizado com os personagens e o ambiente. A história, porém, vai muito além da do primeiro filme: tudo bem que novamente temos o desenvolvimento de Po como lutador e como “pessoa”, mas aqui a história ganha proporções mais épicas.

As batalhas e jornadas são maiores, mais envolventes, as motivações mais emocionantes e os próprios acontecimentos mais interessantes. Temos vários pontos de clímax no filme, deixando a história mais inesperada e divertida. Apesar do desenvolvimento de personagem ficar basicamente focado em Po (com algumas deixas para Tigresa), a execução não falta com nada. Conhecemos o passado de Po e do próprio mundo da franquia, fazendo com que nos envolvamos muito mais facilmente com o enredo e que novas portas sejam abertas.

Apesar do vilão Shen não fugir de moldes já explorados por muitas animações de época no passado (um governante tirano, desonesto que usa de meios malignos e proibidos para atingir seus objetivos de dominação), consegue se destacar acima da média do gênero e mesmo de Tai Lung, vilão do original. Os membros do grupo de Po perdem destaque individualmente para brilhar como grupo. Isso significa menos piadas e interações para cada um, porém também garante risadas para quando esses momentos individualizados acontecem. É interessante observar que mesmo tendo praticamente o mesmo tempo do original, terminamos o segundo filme sentindo como se tivéssemos visto mais história – o filme “rende” muito mais.

Um grande crédito fica para o grande elenco da versão original, muitos dos quais já estavam presentes no primeiro longa: além de Jack Black como Po e Gary Oldman como Shen, os dubladores incluem Angelina Jolie, Dustin Hoffman, Jackie Chan, Lucy Liu, Jean-Claude Van Damme, entre outros. Infelizmente, porém, é difícil encontrar alguma sala brasileira com a animação no audio original.

No aspecto técnico, os três anos entre os dois filmes ficam claros: a animação está mais fluida e natural, com mais detalhes (reparem no pelo da Tigresa, por exemplo) e belos efeitos e iluminação. O vilão foi um dos grandes desafios para os animadores por sua complexidade e o esforço fica bem claro. O 3D se alterna com cenas de flashback e sonhos usando animação 2D, que representaram uma mudança estilística bem-vinda, graças à ótima arte envolvida.

Ótima opção para quem curte animação, mesmo para quem não se impressionou muito com o original. Não supera outros grandes nomes, mas, seja pelas ótimas lutas, história, animação ou pela chance de ver Po quando bebê, vale o ingresso e muita atenção.

Por Rodrigo Ortiz

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