Crítica: John Carter – Entre Dois Mundos

Fantasia Espacial de Primeira
Acredito que “John Carter – Entre Dois Mundos”, teve uma campanha publicitária mal planejada. Em minha opinião, todos os trailers, videos e imagens focavam-se mais nos efeitos especiais do que qualquer coisa.
Agora, em uma época como a que vivemos, onde já vimos de tudo que podíamos com “Homem-Aranha”, “Star Wars” e “Transformers”, acho um pouco difícil nos impressionarmos apenas com as quantidades imensas de computação gráfica que adornam as novas produções de Hollywood. Acredito que se um estúdio quer chamar a atenção e seu público, precisa oferecer um pouco além disso.
“John Carter – Entre Dois Mundos” tem mais a oferecer do que mera computação gráfica.
A história é baseada no romance “A Princess of Mars”, do escritor Edgar Rice Burroughs. Na história, conhecemos John Carter (Taylor Kitsch), soldado desertor que foge do exército americano no final do século 19, enquanto procura incessantemente por ouro.
Durante sua fuga, John dá de cara com um artefato que o transporta para um mundo deserto e estranho. Lá, por algum motivo, ele é capaz de saltar grandes alturas e tem sua força multiplicada muitas vezes. Não demora muito e ele descobre que está em Marte, e pior ainda, uma guerra é travada há muito tempo no planeta.
Carter forja alianças nem sempre amigáveis com os nativos, como a bela princesa Dejah Toris (Lynn Collins) e Tars Tharkas (Wilem Dafoe), líder de uma tribo alienígena local. Com o tempo, John percebe que precisa escolher um lado na guerra que virá.
A história é simples, mas nem tudo é perfeito. Os alienígenas não humanos de Marte são fascinantes, mas pouco de sua cultura nos é realmente apresentada. Da mesma forma, os vilões não são exatamente carismáticos, tampouco suas motivações são explicadas adequadamente.
Claro, o romance original deve apresentar os personagens de forma muito mais detalhada, mas os membros do elenco que recebem maior tempo de tela são interessantes o bastante para conquistar o público.

“John Carter – Entre Dois Mundos” é uma produção grande, com grande ênfase dada a seu visual, na provável expectativa de se cativar gente o bastante e criar uma nova e lucrativa franquia como aconteceu com “Piratas do Caribe”.
Bem, o filme acerta em alguns pontos e erra em outros.
Começando pelos “Tharks”, os agressivos seres nativos de marte que se assemelham a insetos humanoides. O visual de tais criaturas é impressionante, bem como suas expressões e linguagem corporal. Eles são uma clara metáfora aos nativos americanos da época da guerra civil, uma vez que são “menos civilizados” que os demais povos que lutam pelo poder no planeta.
Enfim, temos apenas um pequeno vislumbre de sua cultura, mas é o bastante para gerar interesse no espectador. Ao fim do filme, há uma enorme chance de você estar apaixonado pelo estranhamente adorável “cachorro” marciano.
Por outro lado, as cenas de ação envolvendo naves são menos interessantes. Elas não chegam a empolgar e são visualmente confusas em alguns momentos, sem mencionar quem em grandes confrontos entre os dois exércitos humanos de Marte, é difícil distinguir os mocinhos dos bandidos.
Os momentos em que as lutas conseguem manter um foco são bastante divertidas e mostram que o diretor Andrew Stanton sabe o que faz quando quer. Só precisa deixar as coisas fluírem mais naturalmente.

Curiosamente, as melhores atuações ficaram justamente com os seres menos humanos.
Taylor Kitsch e Lynn Collins não estão ruins em seus papéis, mas ainda estão naquela etapa da carreira em que ambos conseguem trabalho mais por serem bonitos do que pelo seu talento. Tanto ele quanto ela passam a maior parte do tempo com o mínimo de roupa possível, o que vai agradar tanto às moças quanto aos marmanjos.
É bom ver um filme que consegue ser igualitário neste quesito.
Os vilões, como eu disse anteriormente, não são muito interessantes e as atuações pouco inspiradas de Mark Strong e Dominic West pouco fazem para mudar isso.
O maior atrativo do longa, ainda neste quesito, são os Tharks. Debaixo de todas as camadas de computação gráfica, escondem-se atores de alto nível como Wilem Dafoe, Thomas Hayden Church e Samantha Morton. Todos sabiam quem não seriam vistos no filme, então trataram de trabalhar suas vozes e sua linguagem corporal, que seriam a única coisa visível de suas atuações no filme.
Bem, missão cumprida. Podiam ter feito o longa inteiro com Tharks que eu não ia reclamar.

“John Carter – Entre Dois Mundos” me lembrou muito o filme “Stargate”. A premissa é similar, assim como a jornada de descoberta e aprendizado de seu protagonista, que torna-se a chave para o fim de um conflito em uma terra estranha, que logo torna-se seu lar.
O longa tem muitas arestas que poderiam ter sido melhor aparadas mas representa um bom início para o que com certeza se tornará um nova série de filmes caso este tenha um bom desempenho nas bilheterias.
Só espero que quando isto acontecer, lapidem este diamante, para que não acabemos com mais um pedregulho em mãos.
Amer H.
Jornalista profissional que tem o tamanho de um urso e argumentos quase tão bons quanto os de um.














