Crítica: Como Agarrar Meu Ex-Namorado

Comédia e romance temperada com tiros e bandidos
O título de “Como Agarrar Meu Ex-Namorado” inspira pouca confiança. Adaptação extremamente vaga do título “One for the money”, nem mesmo as algemas que Katherine Heigl segura no poster do filme nos fazem crer que seja algo mais do que uma comédia romântica leve e pouco interessante. Baseado na série de best-sellers de Janet Evanovich, o filme conta a história do primeiro dos 18 livros já publicados (No Brasil, apenas parte da coleção está disponível, pela Ed. Rocco. O primeiro livro teve o título de “Um Dinheiro Nada Fácil”). Ainda assim, nos vemos positivamente surpresos com uma obra acima da média, diferente de muito do que aparece nas telonasl:
Stephanie Plum (Katherine Heigl) está divorciada e desempregada. Com as contas se acumulando, e sem outra opção de trabalho, passa a trabalhar para seu primo “capturando” inadimplentes que fugiram de seus compromissos legais. Seu primeiro grande alvo é Joe Morelli (Jason O’Mara), um ex-policial foragido, procurado por assassinato que, por acaso, já havia sido um interesse romântico de Plum. Stephanie passa a investigar Morelli para capturá-lo, acidentalmente se envolvendo em uma grande trama de assassinatos e crimes.

É fácil ganhar simpatia por “Como Agarrar” desde o começo. A narração em primeira pessoa de Heigl dá personalidade na sua já divertida personagem e conforme conhecemos novos personagens – seja sua família bizarra, o foragido Morelli e até a estranha prostituta Lula (Sherri Shepherd) – é difícil não se divertir. As surpresas começam quando notamos que o trabalho de caça-prêmio realmente envolverá Plum aprender a atirar, lidar com criminosos perigosos e boas doses de investigação – uma ótima fuga do estilo que o filme sugere num primeiro momento.

Aqui é um dos momentos em que o filme acerta, porém arma uma armadilha para si mesmo – enquanto se salva de se tornar “mais uma” comédia romântica colocando elementos de ação, suspense e mistério, a dosagem, por ser diferente do que é visto normalmente, acaba não agradando a todos. Acabamos passando por períodos com foco na investigação e no mistério, em que quase esquecemos que existem elementos cômico-românticos. Com uma divulgação que parece sugerir risos e romance a cada minuto, isso é um tiro pela culatra. Por outro lado, para os que não procuram especificamente essas características, a variação é uma surpresa bem-vinda.
Existem alguns problemas por questões de enredo – enquanto a história tem uma complexidade inesperada, especialmente com os elementos da investigação -, frequentemente decisões de Plum e companhia caem em moldes do gênero, incluindo, como o título brasileiro deixa subentendido, as dificuldades românticas que surgem por se perseguir um ex-namorado, de um modo ou de outro. A dupla Heigl e O’Mara funciona, os personagens são interessantes e se encontram em situações inesperadas, mas também não deixam de ser apenas outro casal abastecido por brigas repletas de tensão romântica, sendo que é fácil de saber para onde a trama nos levará em diversos momentos.

Os secundários acabam sendo responsáveis por muito do colorido do filme, criando situações improváveis e divertidas, que deixam o público com vontade de passar mais tempo em suas companhias. Com as muitas mudanças de cenários, eles acabam criando elementos de reconhecimento fácil para o público, claramente herdados do estilo da autora original. Apesar dos “mundos diferentes” nem sempre se adaptarem, ainda que a personagem de Heigl esteja presente em todos, o público se diverte de modos diferentes em cada um.
Pela recepção mundial baixa de público e crítica, mais adiamentos para lançamento no Brasil (originalmente, o filme é de 27/01/2012), é difícil que os outros livros ganhem adaptações, continuando a história de Plum, mas “Como Agarrar” já é uma história fechada em si. Diferente, fugindo de formatos, provavelmente não é melhor opção para todos, mas vale para quem procura uma história divertida, bem contada.

Rodrigo Ortiz
Escritor, leitor compulsivo, jornalista, publicitário e, é claro, nerd de carteirinha. Rodrigo Ortiz é fanático por todas as artes, mas principalmente por tudo o que contém letras, inclusive em línguas estrangeiras.
















Eis uma comédia que tem tudo para ser mais um amontado de clichês. Esses filmes escravos das fórmulas que nunca mudam. Os produtores ofendem sistematicamente a inteligencia do público com os filmes que ficam na mesmice. Algo precisa mudar